Reunião mobiliza financiamento climático

A pedido do México, que irá sediar a próxima Conferência do Clima (COP 16), representantes de 45 países estão reunidos na Suíça e têm até sexta-feira (3) para conseguir alavancar um dos maiores problemas das negociações climáticas: o financiamento.

Transferir recursos e tecnologias das nações mais ricas, que são as principais emissoras de gases do efeito estufa, para as mais pobres, que são as que mais sofrem com os efeitos do aquecimento global, vem sendo nos últimos anos um dos assuntos mais espinhosos nas mesas de debate.

Em Copenhague foi feita a promessa de que US$ 30 bilhões seriam liberados até 2012 e que posteriormente seria trabalhado um acordo pelo qual seriam garantidos US$ 100 bilhões por ano até 2020.

 “Chegar a um consenso sobre o financiamento em longo prazo será fundamental para um tratado global contra as mudanças climáticas”, afirmou Franz Perrez durante a cerimônia de recepção dos ministros.

Segundo um relatório da agência Reuters, cerca de US$ 29,8 bilhões para a ajuda climática já teriam sido disponibilizados, mas boa parte desses recursos seria proveniente de fundos ambientais já existentes o que contradiz a promessa de “fontes novas e adicionais” feita em 2009 na Dinamarca.

Dúvidas
Existem muitas questões em aberto que precisam ser esclarecidas. Por exemplo, ainda não ficou definido quem paga o que ou como, nem quem deve receber os recursos.

Os países conhecidos como BRICS, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, afirmam que temem comprometer seu crescimento econômico e a luta contra a pobreza se tiverem que arcar com todos os custos de desenvolver uma economia limpa.

Já as nações mais ricas alegam que os BRICS têm recursos suficientes para andarem com as próprias pernas e qualquer financiamento climático deveria ser endereçado para os países realmente pobres.

As conversas em Genebra irão tentar aliviar essa tensão e preparar o terreno para que na COP 16, em Cancún entre os dias 29 de novembro e 10 de dezembro, seja possível chegar a um acordo global que inclua políticas de financiamento.

Existem opções na mesa que sugerem que não seriam necessariamente os governos que desembolsariam o dinheiro, mas que os recursos seriam provenientes dos mercados de carbono ou de taxas sobre o consumo de combustível do setor privado de transportes.

Além da importância de toda a questão do financiamento, essa reunião chama a atenção porque será a primeira depois da divulgação da avaliação do Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima feita pelo InterAcademy Council (IAC) a pedido das Nações Unidas.

O IAC concluiu que os trabalhos do IPCC são sólidos e devem ser considerados corretos. Porém, recomendou uma série de mudanças na forma como a entidade é administrada e na postura que adota diante de erros.

“A polêmica ao redor das falhas do IPCC prejudicou bastante o levantamento de fundos no passado. Mas a mensagem agora é forte, os países ricos devem arcar com suas responsabilidades”, concluiu Perrez.




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