Representantes da indústria encontram presidenciáveis

Imagem: Sérgio Lima/Folhapress

O presidente da CNI (Confederação Nacional das Indústrias), Armando Monteiro Neto, afirmou nesta terça-feira que o "Brasil pode e deve crescer mais". Ele discursou durante sabatina com os três principais pré-candidatos à Presidência, José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV).

Na opinião do empresário, o "nível da economia tem se revelado muito abaixo das nossas necessidades, o que constitui grande frustração para os brasileiros".

No entanto, fez um "afago" ao governo Luiz Inácio Lula da Silva: "Nos últimos anos, tivemos importantes avanços: estabilidade, expansão da nova classe média, maior confiança na capacidade de crescer, mais inclusão social. Estamos em momento marcado por forte otimismo empresarial", disse.

Monteiro Neto também enfatizou a necessidade de "liderança e ação" dos pré-candidatos para aceleração do crescimento da renda per capita do brasileiro.

Ele tocou no ponto central das reivindicações do empresariado: "A carga tributária elevada", hoje em cerca de 34% do PIB.

O presidente da CNI encerrou seu discurso na sabatina dos presidenciáveis com uma mensagem de otimismo aos pré-candidatos.

"O Brasil vai caminhar nos próximos anos. Promovemos muitos avanços, isso tudo nos autoriza a ter maior ambição. O Brasil terá o tamanho das nossas próximas ambições."

O presidente da Associação Brasileira de Celulose e Papel, Horácio Lafer Piva, por sua vez, defendeu a segurança jurídica. Ou seja, clareza nas regras.

Uma das falas mais repetidas dos empresários é que "no Brasil, dá para fazer muito mais". Parece até com o slogan de Serra, "O Brasil pode mais".

Piva também falou de outra reivindicação clássica dos empresários, a redução da taxa básica de juros da economia. "Temos consciência de quanto os juros impactam na decisão de investimento do empresário."

Ele encerrou seu discurso na sabatina pedindo que os pré-candidatos debatam publicamente seus principais programas de governo. "Todo líder precisa de respostas, mas para isso a gente precisa fazer mais perguntas. Se os candidatos puderem dizer o que pretendem, e nos permitam debater, nós vamos sustentar melhor o país social e economicamente."

Já o presidente da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), Robson Braga de Andrade, defendeu a aprovação das reformas política, tributária e da Previdência Social.

Na opinião do empresário, as diferentes legislações tributárias nos Estados "não permite que as empresas brasileiras gerem eficiência e sinergia".

Andrade também bateu na tecla da reforma das relações do trabalho. Ao encerrar sua fala na sabatina dos presidenciáveis, ele disse que as reformas são "fundamentais para o país continuar crescendo". Do contrário, o empresário diz que "não seremos mais capazes de competir no mercado globalizado".

O empresário André Gerdau, diretor-presidente do Comitê Executivo do Grupo Gerdau, reclamou do câmbio valorizado, que dificulta exportação e atravanca a competitividade da indústria brasileira. A Gerdau é uma das maiores produtoras de aço do mundo.

Ele ainda reclamou da velha querela da carga tributária e das relações de trabalho. "Sei que não é fácil", ponderou, mas disse ser necessária a redução de encargos trabalhistas e da velocidade que as ações da área são julgadas. Gerdau pediu uma reformulação na legislação.

Segundo o empresário, o Brasil "não é uma ilha" ao defender maior competitividade do país. "O que nós precisamos é isonomia competitiva. Não adianta ser só competitivo no país. Temos que exportar, competir", disse ao encerrar sua exposição na sabatina da CNI.

O presidente da Embraer, Frederico Fleury Curado, reclamou do congelamento de recursos do Orçamento federal, que já são, segundo ele, "insuficientes", e do baixo investimento em inovação.

"Apenas 34% das empresas efetivamente têm processos ligados à inovação", disse. O investimento das empresas brasileiras em inovação corresponde a 0,5% do PIB, número até cinco vezes menor do que no Japão e nos Estados Unidos.

"Somos a oitava economia do mundo, ao passo que somos apenas o vigésimo exportador."

Último empresário a discursar, o presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base, Paulo Godoy, questionou as deficiências na logística do país, um dos fatores que inflam o chamado "custo Brasil".

"O Brasil está perto de investir R$ 120 bilhões por ano em infraestrutura e precisa chegar a algo perto de R$ 160 bilhões."

Godoy citou estudo segundo o qual, em comparação com 132 países, o Brasil está na posição 27 em eficiência, se levado em conta só o setor privado. Já no quesito "eficiência do Estado", seria o de número 128 de 133.

O empresário afirmou que a chave da próxima década para um crescimento sustentável é ajustar a questão dos tributos. "Precisamos nos debruçar fortemente em melhorar a eficiência do aparato do Estado, melhorar a relação custo-benefício da arrecadação tributária", disse.

Godoy afirmou que sustentabilidade é uma das principais metas do setor, "mas precisamos mudar a filosofia do conflito para a parceria".

Ele ainda pediu aos presidenciáveis que façam um debate de "alto nível" na campanha. "O que esperamos é que, ao final do processo eleitoral, possamos aplaudir. Que possam fazer uma campanha propositiva, em benefício do país, não destrutiva, para quem for eleito ter melhor condições de governabilidade."

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