Laranja: a fruta usada para limpar óleo industrial

Imagens: Divulgação

Fundo criado para investir em companhias sustentáveis faz sua primeira aposta: a ODC, que fabrica produto a partir da laranja para limpar óleo industrial

O empresário José Luiz Majolo, 55 anos, costuma mostrar que as propriedades da laranja vão além da vitamina C e faz isso, diga-se de passagem, em benefício próprio. É que essa é a matéria-prima utilizada por ele na sua companhia TerpenOil, fabricante de artigos de limpeza orgânicos e biodegradáveis.

E, de tanto falar do material e do bem que sua utilização traz para a sociedade, ele acabou criando um novo negócio que une sustentabilidade com empreendedorismo. Majolo, que trabalhou durante décadas no mercado financeiro, atraiu um grupo de investidores e montou o ConderePar, um fundo para aplicar recursos em empresas sustentáveis.

A primeira a receber um aporte foi a ODC, uma companhia que fabrica um desengraxante natural para retirar o excesso de óleo de peças industriais recém-produzidas. O objetivo é brigar com gigantes multinacionais, como Basf e Henkel, que, segundo Majolo, utilizam químicos sintéticos, por um mercado estimado em R$ 4 bilhões no Brasil. O ConderePar investiu R$ 15 milhões na ODC. “O fundo proporcionou solidez financeira para a empresa”, diz Majolo. E é somente depois de o faturamento crescer que a companhia receberá novos aportes.

A estratégia é colocar a ODC na linha de frente das companhias mais inovadoras do País e, assim, abrir o caminho do fundo para novas captações de recursos. O chamariz foi apresentado ao público em um evento de tecnologia sustentável do Instituto Ethos, na primeira quinzena de maio. A empresa tem previsão de faturamento de R$ 3 milhões neste ano.

“Somos investidores em novas ideias que tenham preocupações socioambientais e possam gerar um bom retorno financeiro para os acionistas”, diz Ruy Campos, gestor do fundo. Os planos são ambiciosos. Em cinco anos, Campos espera que o faturamento da ODC alcance R$ 50 milhões. “Não descartamos a abertura de capital ou a emissão de dívidas nos próximos anos”, avisa ele.

Para atrair novos investidores, conta a favor da empresa o fato de ser fornecedora de produtos desengraxantes para grandes companhias, como Whirlpool (fabricante dos produtos Brastemp), Acument (indústria automobilística) e Caterpillar (máquinas e equipamentos). “Esse tipo de fundo incentiva a criação de pequenas empresas”, diz Robert Binder, coordenador do comitê de inovação e capital semente da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (Abvcap).

Estima-se que os produtos biodegradáveis garantam uma economia de até 30% no custo total do processo. “Queremos quebrar a prática do uso da química corrosiva na indústria”, afirma Campos. Para tirar a graxa que sobra nas linhas de fabricação, as empresas utilizam produtos à base de ácidos que ficam em um tanque permanentemente aquecido, a uma temperatura entre 60ºC e 80ºC. Ninguém pode pôr as mãos nas peças sem proteção, devido ao risco de acidentes graves. Com o desengraxante da ODC, acontece o oposto: fica em temperatura ambiente e as pessoas não têm a necessidade de usar roupas especiais para o manuseio.

Quem olhar no DNA da ODC verá traços da TerpenOil, a empresa criada por Majolo e pelo químico Maurício Castro em 2007. Foi nesta companhia que o empresário apresentou seu cartão de visita e começou a desenvolver a tecnologia responsável que será usada na ODC: retirar do principal elemento natural da laranja, o terpeno, a substância para elaborar produtos para faxina, purificadores de ar e desengraxantes para a produção de peças.

O desafio, porém, era ser grande com uma companhia verde. Mas, sem capital externo, não teria jeito. Por isso, para experimentar voos mais arriscados, Majolo criou um novo negócio com sua área mais promissora, o desengraxante. “Sabíamos que, para ganhar corpo, seria preciso foco e investimento de novos sócios.

É isso o que estamos fazendo agora”, revela. Majolo manteve 55% das ações da ODC e o ConderePar, 45%.

Tópicos:



Comentários