Engenharia simultânea funciona?

Artigo mostra que trabalho em grupo para desenvolvimento de novos produtos funciona bem na teoria, na prática, nem tanto

Imagens: Divulgação

Lançar novos produtos sempre e o mais rápido possível. Essa necessidade de mercado da atual conjectura mundial obrigou as empresas a mudar seu modo de operação. Para reduzir o tempo de lançamento dos produtos, as empresas adotam o desenvolvimento de produtos baseado, principalmente, na engenharia simultânea e em times multifuncionais - em que as empresas executam suas tarfeas simultaneamente, sem esperar que um setor termine sua parte para o outro começar o trabalho.

Teoricamente, essa nova abordagem resulta em alterações importantes na organização do trabalho, que passa a ser executado em times envolvendo pessoas de várias áreas funcionais, atuando em conjunto do início ao fim dos projetos. No entanto, poucos estudos analisam a abrangência das mudanças que ocorrem na prática nas empresas.

É o que propõe o artigo de Eduardo de Senzi Zancul, Organização do trabalho no processo de desenvolvimento de produtos: a aplicação da engenharia simultânea em duas montadoras de veículos. O objetivo é analisar a forma como o trabalho de desenvolvimento de produtos é organizado nas empresas e discutir as diferenças entre a prática e os pressupostos teóricos.

Para isso foram realizados dois estudos de caso em montadoras de veículos comerciais, multinacionais que atuam na montagem de caminhões e de chassis de ônibus. A pesquisa demonstra que a adoção de times e de um processo com atividades em paralelo não garantem a integração efetiva entre as áreas funcionais.

A pesquisa também indica que parte relevante das atividades de projeto de novos produtos ainda é realizada individualmente, apesar das vantagens potenciais de se optar por uma organização mais flexível, autônoma e baseada em trabalho em grupos. Diferente do que os teóricos apontam nessa nova estrutura, as empresas precisam fazer adaptações ao modelo simplificada apresentado na literatura para conseguir adequar o modelo às suas próprias necessidades.

Normalmente são as próprias barreiras internas impostas pela estrutura organizacional da empresa que acabam dificultando a implantação efetiva da engenharia simultânea, restringindo os benefícios que esta estrutura deveria proporcionar.  

O artigo sugere que "para remover essas barreiras e para que os benefícios da engenharia simultânea sejam atingidos de fato, as empresas devem considerar a implementação da abordagem de trabalho em times nos níveis hierárquicos mais baixos das organizações e a adoção de mecanismos que resultem em maior alinhamento entre as prioridades dos departamentos e as do desenvolvimento de produtos".

Apesar de muitos estudos mostrarem casos de sucesso ao implementar a engenharia simultânea, ainda são casos mais pontuais. Na maioria das vezes esta implementação não é feita por completo, prejudicando o processo de desenvolvimento de novos produtos. 


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