Automóveis e pneus estão na lista de retaliações aos EUA

Ao total, a lista possui 102 produtos que receberão sobretaxas

Fotos: Divulgação



O Brasil divulgou ontem (08/03) a lista de 102 tipos de produtos que receberão aumento de alíquota de importação, capaz de aumentar em US$ 591 milhões seu custo para os EUA. O governo americano tem o prazo de 30 dias, até entrar em vigor as sobretaxas, para tentar negociações que evitem as sanções impostas.

A retaliação afeta principalmente a importação de trigo (que teve triplicada a tarifa, de 10% para 30%), automóveis (35% para 50%), algodão e produtos têxteis (6% e 26% para 100%) e cosméticos, pasta de dente, lâminas de barbear e sabonetes (duplicada a tarifa, de 18% para 36%). Foram afetados também produtos de consumo, como sucos e batatas fritas (14% para 34%), ketchup (de 18% para 38%) e medicamentos, como derivados de paracetamol. A lista começa a valer em 30 dias e terá um ano de duração, após o qual poderá ser revista.

Além dos automóveis, de importação próxima a US$ 100 milhões anuais, também foram afetados pela duplicação da tarifa os derivados de isocianato de tolueno, matéria-prima para espumas e adesivos, um dos raros insumos punidos na lista, responsável por importações originadas nos EUA de US$ 70 milhões em 2008.

O representante comercial da Casa Branca (USTR), Ron Kirk, divulgou nota, manifestando "desapontamento" com a decisão brasileira e afirmando preferir a negociação. Segundo o chefe do departamento econômico do Itamaraty, Carlos Márcio Cozendey, no entanto, os EUA não fizeram, até hoje, nenhuma proposta para negociar a disputa provocada pelos subsídios ilegais ao algodão, que levou a Organização Mundial do Comércio (OMC) a condenar a política americana de subsídios e autorizar o Brasil a retaliar.

Cozendey e a secretária-executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Lytha Spíndola, garantiram que a decisão de retaliar é uma maneira de levar os EUA à mesa de negociações, para obter um compromisso de extinção dos subsídios.

Confira, abaixo, a tabela com os produtos que sofreram retaliações:

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