Cenário para 2010 não é de recuperação para a siderurgia

Os estragos na economia mundial provocados pela crise financeira fizeram o valor total movimentado em fusões e aquisições no mercado global de siderúrgica despencar em 2009, segundo levantamento divulgado hoje pela PricewaterhouseCoopers. A pesquisa "Metals Deals", da consultoria, revela que as operações somaram US$ 15,1 bilhões; cifra bem abaixo dos US$ 60,6 bilhões registrados em 2008.

O cenário para 2010 não é de recuperação. O líder global do setor de metais da Price, Jim Forbes, espera, apenas em 2011, uma retomada mais significativa das operações de fusões e aquisições. No ano que vem, as companhias terão uma visão mais clara sobre a tendência dos preços e das vendas no setor.

A queda no valor movimentado em 2009 ocorreu apesar de o número de negócios ter crescido no período. Foram realizadas 521 operações, contra 397 fechadas no ano anterior. "Ainda vai demorar algum tempo para que se tenha grandes negócios, como aqueles realizados entre 2007 e 2008", previu.

Outro efeito da crise internacional apurado pelo levantamento da Price foi o maior interesse das empresas por operações dentro de seu país de origem. Esse tipo de negócio respondeu por 70,86% do total de US$ 15,1 bilhões movimentado em fusões e aquisições ao longo de 2009. Resultado inverso ao apurado em 2008, quando as transações domésticas corresponderam apenas a 37,62% da cifra total.

Preferência
"É a primeira vez em oito anos que percebemos essa maior preferência das empresas por mercados já conhecidos", informou Jim Forbes. E completou: "Os produtores não estão confiantes sobre preços e volumes das matérias-primas. Os preços do aço vão aumentar, mas a questão é quando. Acho que no quarto trimestre deste ano ou em 2011. Aí vamos voltar ao ciclo normal de fusões e aquisições."

O executivo destacou a atuação das empresas chinesas, que estão cada vez mais interessadas em comprar empresas mineradoras. Como a Austrália tem mostrado bastante resistência ao avanço da China nesse segmento, o executivo da Price acredita que o alvo dos chineses será mudar para oportunidades na África, América do Norte, América do Sul e Rússia. "A Índia poderia ser um alvo, mas tem muito pouca infra-estrutura, o que torna difícil tirar esse minério", lembrou.

Mineração
Nesta quinta-feira, a Price divulgou ainda um levantamento sobre o setor de mineração. A crise também afetou as operações de fusões e aquisições no segmento. Elas caíram pela metade em 2009. A cifra passou de US$ 153,4 bilhões em 2008, para US$ 77,1 bilhões no ano passado.

Os dados mostram, inclusive, que, embora o número de operações tenha crescido, o valor médio de cada negócio despencou de US$ 124 milhões para US$ 52 milhões. O executivo da consultoria não espera uma recuperação para 2010.

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