Grandes máquinas devem voltar a puxar vendas no setor


O setor de máquinas agrícolas deve assistir, em 2010, uma reversão nas vendas do setor. Massey Ferguson e Valtra já se preparam para atender grandes produtores. O mercado para tratores de até 75 cavalos, considerados de pequeno porte, que evitou maiores prejuízos ao segmento no ano passado, deve entrar em um período de estagnação, já que o universo de produtores que se encaixam no perfil dos programas governamentais está diminuindo.

Por outro lado, a saída da crise e a prorrogação do prazo das linhas de crédito para aquisição de máquinas agrícolas (Finame Agrícola) devem impulsionar a retomada da compra desses equipamentos por parte de médios e grandes produtores. Por conta da manutenção da taxa de juros em 4,5%, algumas empresas já estão revisando para cima suas perspectivas para o próximo ano.

A linha do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no valor de R$ 44 bilhões, deveria terminar no dia 31 de dezembro, mas sua extensão, em 180 dias, foi incluída no pacote de medidas pró- investimento. Essa linha de financiamento tem taxa de juros praticamente zero para as empresas, de 4,5% ao ano. A taxa é subsidiada pelo Tesouro Nacional que garante a equalização de taxas de juros ao BNDES.

O anúncio da prorrogação, apesar de recente, já surtiu efeito nas vendas de máquinas. De acordo com Jak Tarreta Junior, diretor de Marketing da AGCO, que detêm as marcas Valtra e Massey Ferguson, desde outubro as vendas do setor aceleraram, em grande parte pela proximidade do término do prazo do juro a 4,5%, mas a partir do momento que foi divulgada a prorrogação o produtor não teve mais a pressa de entrar com o pedido.

"Para nós, fabricantes, ajuda na programação e na tranquilidade maior para atender o volume de entregas programadas para o primeiro semestre", disse Tarreta Júnior.

Segundo o executivo, a prorrogação da taxa do Finame também deverá promover uma retomada na comercialização de máquinas para o médio e grande produtor. "Acreditamos que médios e grandes tenham mais condições de investir em 2010, o que deve resultar em um avanço no faturamento, já que o valor agregado nesses produtos é maior", avalia Tarreta Júnior.

Quem deve puxar a demanda é o setor sucroalcooleiro que, após duas safras consideradas ruins, volta a garantir margens devido à elevação dos preços do açúcar. Tarreta Júnior destaca que, para a Valtra, que detêm 60% do mercado sucroalcooleiro no País, o aumento nos pedidos já começou neste semestre. "Durante 2009, o setor estava paralisado, com problemas financeiros, no segundo semestre, a partir de outubro, as consultas e fechamento de negócios no setor de cana retornaram", afirmou.

Com máquinas na faixa de 180 cavalos de potência, a maior parte dos tratores para cana se encaixa no perfil de médios e grandes produtores.

A retomada na venda de tratores de maior porte deve equilibrar as vendas em 2009 e elevar o faturamento da indústria de máquinas agrícolas. Segundo Tarreta, inicialmente a AGCO estava prevendo para este ano um pequeno decréscimo em relação a 2009, em relação à venda de tratores. "Estávamos prevendo uma redução de 10% para 2010. Isso porque o aumento dos juros que estava sendo esperado anteriormente faria com que parte da demanda de 2010 fosse antecipada para 2009", explica o executivo.

Ele também atribui a expectativa inicial de retração em razão da diminuição na demanda de tratores que está atrelada aos programas governamentais de subsídio a pequenos agricultores. "O universo de agricultores aptos a comprar tratores desse porte começa a diminuir, principalmente no Rio Grande do Sul, que foi a primeira região a adquirir trator por meio de programas", afirma Tarreta.

Anfavea
Apesar da crise que se abateu sobre o setor durante o último ano as vendas de tratores de rodas no Brasil cresceram 4,7% em 2009, somando 45.437 unidades, informou ontem a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O incremento supera o observado em todo o segmento de máquinas agrícolas, cujo aumento na comercialização foi de apenas 1,5% no acumulado do ano.

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