Ministro ameaça reduzir alíquota de importação do aço

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O governo alertou as indústrias siderúrgicas sobre a possibilidade de nova redução do imposto de importação. Essa será a resposta, caso os reajustes dos preços do aço não sejam justificados pelo aumento dos valores pagos pelos principais insumos, como mão de obra, energia e minério. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, "eventuais aumentos de preço de produtos siderúrgicos não podem comprometer o esforço que o governo e alguns setores estão fazendo."

Segundo ele, pelo menos três grandes associações industriais esperam, com preocupação, que as siderúrgicas passem a cobrar preços mais altos em janeiro. São elas as representantes das montadoras de veículos (Anfavea), das fabricantes de aparelhos domésticos da linha branca (Eletros) e da indústria eletroeletrônica (Abinee). Várias medidas anticrise do governo para estimular a economia e elevar o consumo beneficiaram a vendas de veículos e de produtos da chamada linha branca.

O acompanhamento dos preços é feito pelos ministérios do Desenvolvimento e da Fazenda, mas Miguel Jorge revelou que, há três semanas, as informações colhidas não apontavam aumento de preços. Representantes das siderúrgicas reuniram-se com o governo e até levaram notas fiscais. O problema, segundo o ministro, é que consumidores já identificaram sinais de "fim de descontos", o eufemismo para aumento de preços. Isso não vai impedir a Câmara de Comércio Exterior (Camex) de baixar, mais uma vez, as alíquotas do imposto de importação do aço, que estão entre 8% e 14%.

Facilitar a importação de produtos siderúrgicos é uma medida que, em alguns casos, tem apenas efeito psicológico. Miguel Jorge admitiu que são complexas as condições de logística para trazer aço do exterior e os produtores nacionais aproveitam-se dessa vantagem. Além disso, reconheceu que a maioria dos grandes consumidores de aço depende de contratos longos para obter preços menores.

Miguel Jorge disse também que os argentinos estão indicando que vão acelerar as autorizações de entrada de mercadorias brasileiras no país. Ele lamentou que continuem os problemas com alguns itens, como freios e embreagens de veículos, baterias automotivas e produtos da linha branca. Na semana passada, a comissão bilateral de comércio fez sua última reunião do ano em São Paulo e, de acordo com o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Ivan Ramalho, já foram liberados os fluxos de calçados e tratores brasileiros que enfrentavam dificuldades. A situação aduaneira atual, segundo o ministro, ainda prejudica o livre trânsito de cerca de 400 itens brasileiros.

 
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