Leilão de eólicas tem deságio de 21%

Preço ficou em R$ 148 o MWh e os investimentos são estimados entre R$ 7 bi e R$ 9 bi

Fotos: Divulgação

O Brasil vai receber nos próximos três anos investimentos entre R$ 7 bilhões e R$ 9 bilhões em em parques eólicos com capacidade de geração de 1,8 mil megawatts. Esse foi o volume negociado ontem no primeiro leilão de eólica promovido pelo governo federal. Mas apesar dos investimentos expressivos, foi o preço o que mais surpreendeu. Com a média de R$ 148 o MWh, um deságio de 21% em relação ao preço-teto, o governo sinaliza que não há mais necessidade de se fazer um leilão só para eólicas. "Essa é uma fonte competitiva", disse o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia (MME), Márcio Zimmermann.

O preço ficou próximo até mesmo da energia de projetos termelétricos. De acordo com o diretor-geral da Aneel, Nelson Hubner, isso mostra que também esses projetos terão de ficar mais competitivos ao longo do próximo ano, já que existe a tendência de que todas as fontes de energia possam vir a concorrer em um mesmo leilão.

De acordo com José Carlos de Miranda Faria, da Empresa de Pesquisa Energética, o preço foi competitivo porque o fator de produtividade na geração dos empreendimentos vencedores é muito elevado, na média, 40% - percentual parecido com o que é proposto na usina hidrelétrica de Belo Monte e bem elevado em relação a projetos eólicos em geral. Com esse índice de produtividade, a energia assegurada da disputa ficou em 753 MW médios. Por esse critério, os maiores vencedores foram a Renova Energia, empresa formada por investidores do mercado financeiro, que vendeu 127 MW médios, e a CPFL Energia, com 73 MW médios.

O presidente da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Antônio Carlos Fraga Machado, disse participaram 130 empreendedores que cadastraram 217 projetos, com mais de 6 mil MW de capacidade. Os 31 empreendedores vencedores ficaram durante sete horas e meia disputando e garantiram uma receita de R$ 19,6 bilhões para receber em 20 anos.

O governo entendeu que o leilão foi um sucesso e o sinal que a indústria de equipamentos esperava para investir no país. Um dos incentivos dados para o leilão foi a isenção de IPI, que segundo Zimmermann dá um impacto positivo de 7,5%. A EPE entende que o total de investimentos chegará a R$ 9,4 bilhões, mas alguns agentes do governo entendem que, pela competitividade, o investimento por MW planejado pelos investidores deve ser menor do que os R$ 5 milhões, ficando em torno de R$ 4 milhões.




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