Marcação a laser impede falsificação

Além de ser mais seguro que a impressão usual, o laser também pode dar identidade visual à peça

Fotos: Welle

É provável que você já tenha comprado um produto falsificado, de qualidade inferior, sem nem perceber. E pior: pagando o preço do original. Falsificar produtos pode ser fácil, afinal, a maioria das empresas utiliza códigos de segurança (como o código de barras) e logomarcas impressas, que são facilmente retiradas ou imitadas. Por isso, a tecnologia de marcação a laser vem ganhando espaço.

Estima-se que  11% dos produtos da indústria de cosméticos vendidos em supermercados sejam falsos, e seus rótulos impressos, adulterados.  Na impressão, os pigmentos são depositados na superfície da embalagem ou da peça. Mesmo que o processo seja feito corretamente, esses pigmentos podem ser retirados ou imitados facilmente.

Na marcação a laser isso não acontece. Ao invés de depositar, o feixe de laser modifica a superfície do material, carbonizando ou mesmo retirando material da superfície,fazendo com que a marcação seja permanente. Polir ou aquecer a peça não será suficiente para fazer a marcação desaparecer. “O único modo seria danificar a superfície, mas aí ficaria claro que a peça está adulterada”, explica Gabriel M. Bottós, sócio da empresa Welle, especializada em tecnologias laser.

Vantagens
A tecnologia laser garante maior precisão do desenho a ser marcado. O ponto que a tinta faz em uma impressão é pelo menos 10 vezes maior que o ponto do laser. Mesmo em peças muito pequenas, a marcação será legível, como mostra a figura.
 
Outro processo que pode concorrer com a marcação a laser, segundo Rafael Bottós, é a impressão eletroquímica. Esta necessita de uma matriz onde é colocado o ácido para fazer a marcação. A matriz é inutilizada depois de algumas aplicações, enquanto o modelo a ser marcado pelo laser é um arquivo no computador, o que garante uma repetibilidade infinita.

Além disso, é preciso dar destino ao ácido utilizado na impressão eletroquímica, o que prejudica o meio ambiente. Já na marcação a laser, o único recurso gasto é energia elétrica para a máquina e a manutenção básica: troca da água destilada a cada 6 meses, “ que custa R$ 3,00”, garante Rafael. 

O laser ainda leva vantagem pois sua marcação é instantânea. Esse símbolo que você vê abaixo tem dois centímetros de altura e quatro de comprimento. Depois de configurada, a máquina leva menos de um segundo para gravá-lo. 
 

Veja o processo dessa marcação em vídeo.

Uso na indústria
Na indústria automobilística, por exemplo, se ganha com a rastreabilidade. Cada peça colocada no carro ganha um código. Se alguma dela estragar, é possível verificar se a peça é original de fábrica, se está na garantia, quantos anos tem de uso, se é do tipo e marca correta para o carro. É possível perceber também se foi adulterada, afinal todas as características técnicas da peça poderão ser acessadas a partir de seu código marcado a laser.

Segundo os irmãos Bottós, comumente a codificação é feita por lotes e não por peça. Quando se percebe o defeito de fabricação em várias peças do mesmo lote,  o fabricante precisa fazer uma chamada na mídia para que todos os proprietários levem seus carros para verificar e trocar a peça, o chamado recall. Já na marcação peça-a-peça, se tem maior controle de que unidades estão com problema. Assim, pode-se entrar em contato com cada proprietário isoladamente, economizando trocas desnecessárias, além de evitar publicidade negativa para a empresa.

Da mesma forma, a rastreabilidade traz vantagens para diversos setores de transportes e metal-mecânico em geral.

Outros setores, como o de produtos cirúrgicos e o de polímeros – por exemplo a eletrônica -também podem obter vantagens. “Imagine imprimir o código de uma prótese dentária, que vai ser colocada na boca, menor que o tamanho de um dente?”, pergunta Gabriel. Com a alta qualidade de imagem do laser, é possível.

Agregado ao design

A Welle, empresa especializada, ainda tem outros processos de marcação a laser inovadores que visam à estética e o marketing, como a marcação a laser com cores e a marcação invisível, ambos inéditos no Brasil. Rafael e Gabriel explicam que conseguiram as gravações coloridas controlando alguns parâmetros nas camadas nanométricas do óxido presente na superfície do aço inox e do cobre.

Já a gravação invisível foi desenvolvida com o foco no setor sanitário, como torneiras e chuveiros. A marca do produto aparece apenas com vapor d´água. O ambiente fica mais clean, e a marca está ali para garantir a procedência do produto.


Faça você  mesmo
As máquinas de marcação a laser não são novidade no mercado. Mas assim como nos processos de usinagem , os processos a laser também devem ser otimizados para cada linha e empresa. Foi assim que a Welle entrou no mercado: os engenheiros analisam qual é a melhor opção de máquina para cada cliente e automatizam e gerenciam os parâmetros de modo a otimizar o processo. Depois de instalada a máquina na empresa do cliente, ainda oferece o treinamento e acompanhamento.
Tópicos:



Comentários