Política de inovação deve focar iniciativa privada

Saiba por que essa é a opinião de industriais e acadêmicos das maiores instituições do país

Fotos: Divulgação

Apenas 47% das empresas brasileiras conhecem ferramentas de incentivo e 45% se declaram aptas a inovar. A tese de que a inovação tecnológica cabe exclusivamente ao meio acadêmico é um equívoco metodológico no Brasil. A afirmação é do diretor-científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Henrique Brito Cruz, que participou do Congresso da Indústria 2009, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), em 28 de setembro.

“O lugar da inovação é na empresa. Não podemos deixar que a discussão vá para temas como a relação entre universidade e empresa”, declarou Cruz, apontando que nos Estados Unidos, por exemplo, a participação da iniciativa privada em pesquisa e desenvolvimento (P&D) é de 98% do total aplicado – respondendo por 2% do Produto Interno Bruno (PIB). Já no Brasil, de acordo com ele, o investimento em inovação soma 1,1% do PIB, sendo que 0,6% é aporte do governo e apenas 0,5% de empresas.

“Esses 0,5% não permitem que o Brasil consiga competir com outros países, como China e Estados Unidos”, indicou. Cruz criticou a falta de políticas públicas de apoio à inovação. Mas reconheceu que nos últimos 15 anos, o País vem adotando algumas medidas positivas, como a Lei de Inovação Tecnológica, aprovada em 2004, e o processo de renúncia fiscal para empresas inovadoras, que pode chegar a R$ 2 bilhões para os cofres públicos.

Na opinião do vice-presidente da Fiesp, Guilherme Ometto, para que o Brasil avance é necessário transferir cientistas das universidades para as empresas. “Ou o Brasil se mobiliza pela inovação ou ficaremos para trás”, alertou, com base em dado apresentado por Cruz de que apenas 20% dos cientistas brasileiros são alocados em empresas, enquanto nos EUA essa proporção é de 80%.

Para o diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, a principal barreira está na burocracia de acesso a linhas de financiamento e programas de incentivo. “Isso dificulta ao Brasil alcançar patamares mais altos”, disse, ao se referir ao fato de a China, por exemplo, exportar US$ 340 bilhões em produtos industrializados.

De acordo com o Índice de Competitividade (IC-Fiesp), divulgado recentemente, o Brasil ocupa a 13ª posição no ranking de produção científica, entre 43 países avaliados, responsáveis por 90% do PIB mundial. Já no quesito patentes, o País é o 28º colocado.

Segundo levantamento do Decomtec, apenas 47% das empresas brasileiras conhecem ferramentas de incentivo à inovação, e 45% se declaram preparadas para inovar. “Temos oportunidades imensas, mas também temos que transpor essas barreiras para que nossas empresas, principalmente as micro e pequenas, sejam inovadoras”, avaliou Roriz.
 

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