Brasil pode contribuir para diversificação da economia árabe

A região vem fazendo esforço para desenvolver outros produtos além do petróleo

Fonte: Agência Brasil-Árabe

A região vem fazendo esforço para desenvolver outro tipo de produção, além do petróleo, e o Brasil deve aportar neste processo por meio da instalação de bases industriais locais, segundo o diretor da Cepal, João Carlos Ferraz, que fez uma palestra no 2º Congresso Brasileiro da Inovação na Indústria, que terminou ontem em São Paulo.

A indústria brasileira pode contribuir para a diversificação da economia nos países árabes estabelecendo bases produtivas na região. Essa é a opinião do diretor da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), João Carlos Ferraz, um dos palestrantes no 2º Congresso Brasileiro de Inovação na Indústria, que acabou ontem (25) em São Paulo. O diretor da Cepal, organismo ligado às Nações Unidas, falou no encontro sobre a internacionalização do setor industrial brasileiro. Em entrevista à ANBA, Ferraz lembrou do interesse dos países árabes de desenvolver sua economia além do petróleo e afirmou que a indústria nacional pode contribuir nessa diversificação.

O diretor da Cepal disse que os setores brasileiros mais promissores para a implantação de indústrias são aqueles que já têm exportações crescentes para a região, como os de jóias, alimentos e veículos, principalmente ônibus. Esse movimento já vem começando a acontecer. A Randon, por exemplo, fabricante gaúcha de implementos rodoviários, tem linhas de montagem no Marrocos e na Argélia e deve abrir mais uma, no Oriente Médio, entre este e o próximo ano. Também a Crystalsev, usina brasileira, está construindo, em parceria com outras empresas e investidores, uma refinaria de açúcar na Síria. "São setores que se abriram com a exportação e o passo seguinte é colocar bases locais mais fortes", disse Ferraz.
 
De acordo com Ferraz, é vantajoso para o Brasil investir nos países árabes. Ele afirma que o crescimento de uma empresa não pode ser restrito às fronteiras nacionais e que as operações fora do país normalmente obrigam a base a atuar de maneira ainda mais satisfatória. Durante sua palestra, Ferraz lembrou que as empresas transnacionais - que têm operações fora dos seus países de origem - são responsáveis por 50% dos investimentos mundiais feitos em pesquisa. Elas respondem também por dois terços do comércio global e por 27% do Produto Interno Bruto (PIB) do mundo. Os investimentos diretos estrangeiros feitos pelo Brasil, segundo Ferraz, ainda estão muito focados na própria América Latina.
 
O congresso, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), tem como foco o investimento em inovação na indústria brasileira. O desenvolvimento da pesquisa dentro das empresas, segundo os palestrantes do encontro, é essencial para a inserção delas no mercado internacional. Ferraz lembrou, em sua exposição, da importância crescente do comércio mundial para as empresas. As importações e exportações respondiam por 38% do PIB mundial em 1999 e hoje já ultrapassaram os 52%. A participação dos bens primários no comércio mundial está caindo, segundo dados apresentados por Ferraz, e das manufaturas, produtos mais elaborados, está aumentando.
 
O diretor alertou quanto à participação crescente da China no comércio internacional e lembrou que para ter o atual desempenho o país investe muito em pesquisa. Segundo ele, mais do que o Japão, país que é considerado top em tecnologia mundial. "A China não é só mão-de-obra barata, apoio governamental, por trás há muito investimento em pesquisa", disse Ferraz ao público. Ele lembrou, porém, que o Brasil também vem agregando valor aos seus produtos. Uma boa parte da indústria nacional - 42% - é formada por setores que usam tecnologia, de acordo com ele. Esse índice, de acordo com Ferraz, é de 62,1% em países desenvolvidos. "Estamos atrás se comparados aos países desenvolvidos, mas muito avançados se comparados com os outros países em desenvolvimento", afirmou.
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