Indústria paulista se recupera e cresce 2% em julho

Fotos: Divulgação

Segundo o Indicador de Nível de Atividade (INA), divulgado nesta quinta-feira, 70,6% dos setores apresentaram crescimento nos últimos dois meses

Com os resultados dos dois últimos meses, a indústria paulista de transformação indica um ímpeto de recuperação em sua atividade. Em julho, o Indicador de Nível de Atividade (INA) medido pela Fiesp e o Ciesp subiu 2% na série com ajuste sazonal, e se somou à expressiva variação de 2,7% apurada no mês anterior. A alta atingiu 4% no dado nominal, o melhor resultado para julho nos últimos cinco anos.

“O que se destaca é que foram dois bons resultados seguidos, e isso indica que a melhora se acentuou”, afirmou Paulo Francini, diretor-titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp/Ciesp. Os números foram divulgados nesta quinta-feira (27) pelas entidades.

O resultado ainda é negativo se confrontado com o mesmo mês de 2008 – em julho, a retração ficou em 9,4% nesta base de comparação. Porém, Francini ressaltou que a diferença, que já foi de 15%, está em rota de queda. A redução atinge 12,8% no ano, e 7,9% em 12 meses.

O nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) de julho ficou em 81,6%, um ligeiro crescimento em relação a junho (80,6%), e abaixo do nível verificado em julho do ano passado (84%). O total de vendas reais se destacou entre as variáveis do mês, com alta de 3,1%.

Recuperação consistente
Um dos fatores que reforça a trajetória de recuperação da indústria é o índice de dispersão do crescimento, percentual que mostra quantos setores, dos 17 presentes no estudo, apresentaram variação mensal positiva no INA. O índice alcançou 70,6% pelo segundo mês seguido (12 setores positivos).

“Estamos em um bom nível, que se manteve por dois meses, e revela uma consistência aparentemente melhor”, considerou Francini. Em maio, a taxa havia sido a segunda pior desde o início do ano (35,3%).

Para o diretor de economia da Fiesp/Ciesp, o ritmo de crescimento verificado nos dois últimos meses é forte e está indo bem, mas não deve se sustentar até o fim do ano. As entidades esperam uma queda entre 6% e 7% na atividade ao final de 2009, principalmente por influência do mercado externo, devido à redução de 30% na exportação de produtos industrializados.

“A indústria caiu de uma janela do 5° andar, e está subindo de volta pela escada. Infelizmente, demora mais tempo. Temos pressa em subir, mas ainda estamos machucados pela queda”, comparou. Francini aposta em uma retomada do nível de atividade pré-crise somente no ano que vem. O INA caiu 18% entre setembro e dezembro de 2008, e desde janeiro recuperou 8%.

Setores
As vendas internas da indústria química, que subiram 9,77% em relação a junho, de acordo com dados da Abiquim, impulsionaram a atividade do setor – que foi quase o dobro do INA total (3,8%), em termos ajustados. As demais variações também são melhores: alta de 3% em relação a julho passado, e queda de 6,5% no acumulado de 2009, metade da redução verificada na indústria.

As taxas mensais do setor automotivo também continuam em crescimento (3,8%). A variação em relação a julho de 2008 segue negativa, com retração de 11,3%. No acumulado do ano, a queda atinge 17%. Segundo Paulo Francini, com o fim da desoneração do IPI, marcada para o final de setembro, fica a indagação sobre o rumo da atividade . “Não sabemos se vai se manter, ou se vamos assistir a um ajuste, em um mercado que vinha de certa forma aquecido”.

Já o segmento de celulose e papel está em recuperação, mas apresentou uma redução pontual no mês de julho (-1,1%). Apesar de São Paulo não ser um grande produtor para exportação de celulose, estando mais concentrado no consumo interno de papel, a grande retomada do setor deve-se à recuperação dos preços no mercado internacional.

Sensor
O indicador antecedente da Fiesp registrou 53,5 pontos na segunda quinzena de agosto, um pouco menor em relação à medição anterior (55,9). Mercado (64,1) e vendas (57,1) continuam em destaque, seguidos por emprego (54,5), investimentos (49,4) e estoque (42,3).

Para Paulo Francini, o Sensor continua em bom nível. “Está caindo uma chuvinha fina, mas nosso barômetro mostra que vai sair sol mais à frente”, resumiu.


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