CIMM entrevista o Presidente da Abiodiesel

Associação Brasileira das Indústrias de Biodiesel completará dois ano dia 25 de abril

Fonte: João Gabriel e Roberta Ávila

Foto:  Abiodiesel

A Associação Brasileira das Indústrias de Biodiesel completará dois ano dia 25 de abril. Nesta entrevista ao CIMM, o presidente da Abiodiesel, Nivaldo Trama fala sobre a necessidade e a ampliação do uso de biodiesel e sobre a polêmica da utilização de grãos que poderiam servir de alimento para a produção de combustível.

CIMM - Como surgiu a Associação Brasileira das Indústrias de Biodiesel?
Nivaldo – A Abiodiesel surgiu de uma reunião na Fiesp entre empresários e investidores, após da publicação do Marco Regulatório pelo governo, que determina uma mistura de 2% de biodiesel ao diesel comum a partir de 2008. A partir de 2013 a porcentagem de biodiesel acrescentada ao diesel deveria ser de 5%, mas o governo decidiu antecipar essa meta para 2010.

C– Usar biodiesel b100, como na Europa, é possível no Brasil?
N – As frotas cativas, como as de ônibus podem estimar seu interesse em usar o b100, a questão é que seria necessário fazer algumas alterações nos motores, como instalar um pré-filtro ou um bico injetor regulado para o uso de biodiesel. Para o diesel com até 30% de biodiesel(b30) não é preciso fazer nenhum ajuste. Como o preço do litro de biodiesel é igual ao preço do litro de diesel isso não ofereceria vantagens econômicas para o usuário. Na Europa o biodiesel b100 é usado porque ele é mais barato do que o diesel, por causa dos impostos.

C – Qual a política do governo com relação à produção de biodiesel? Existem incentivos fiscais?
N – O governo vê na produção de biodiesel uma possibilidade de criação de mercado para transportes, a própria produção de biodiesel, distribuição, armazenamento e exportação, além da possibilidade de inclusão social com a geração de empregos. Existem incentivos fiscais como a redução do PIS/Pasep e Cofins através do Selo Combustível Social, que é dado para produtores que adquirem a matéria-prima de produtores familiares.

C – Qual o gênero que daria melhor rendimento para a produção de biodiesel?
N – Hoje o biodiesel que nós produzimos vem da soja, que o país produz em grande quantidade e que produz 18% de óleo. O pinhão manso rende 40% de óleo e é um arbusto, como o café, que dispensa plantio anual. Esse é o futuro do biodiesel. Não é ético nem estratégico transformar alimento em combustível.

C – O que você acha do governo cobrar alíquotas diferentes para produtores que utilizam matérias-primas diferentes? É uma maneira de incentivar a produção com determinados gêneros?

N – Com certeza. Eu não acho certo colocar menos imposto sobre a mamona. Acho que deveria haver uma isonomia tributária.

C – Quando foi criado o biodiesel?
N – Em 1900 Rudolf Diesel criou o motor ciclo-compressão, que é diferente do motor à explosão, que usa gasolina. O motor criado por ele funcionava com óleo de amendoim e os primeiros carros eram movidos a óleo vegetal. Em 1910 o petróleo começou a ser usado como combustível porque era muito barato.
O biodiesel foi criado por um brasileiro, José Expedito Parente, na década de 70. O óleo cru tem uma cera, que danifica o motor. Em 6 meses se perde um motor que esteja sendo abastecido com óleo cru. O José Expedito inventou a reação de esterificação que tira a cera do óleo, isso é o biodiesel.

C – Quando o biodiesel voltou a ser produzido em larga escala?
N – Na Alemanha. Os alemães são os pioneiros em produção e em tecnologia de biodiesel, mas daqui a um prazo de 3 a 5 anos nós poderemos ser grandes produtores mundiais de biodiesel.

C – Qual a produção brasileira atual de biodiesel?
N – 600 milhões de litros, que atualmente substituem 1,5% da matriz mineral do diesel comum.




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