Sobrevivência passa pela inovação, afirmam especialistas

Talk show reúne em São Paulo cerca de 300 empresários

Foto: ASN


A sobrevivência de uma pequena empresa depende de quanto ela consegue inovar. Esse foi o tema principal do seminário 'Desafios do Crescimento – Inovação nas Pequenas Empresas', realizado quinta-feira (2), em São Paulo. Promovido pela Anpei e patrocinado pelo Sebrae, o evento reuniu cerca de 300 empresários. Para o diretor-técnico do Sebrae, Luiz Carlos Barboza, um dos palestrantes, as pessoas só mudam o comportamento quando acreditam na proposta.

"Apresentamos o ‘Ciclo de Soluções’, que o Sebrae está disponibilizando, para sensibilizar, capacitar, dar consultorias e ajudar os empresários a buscarem recursos com o objetivo de fazer da inovação um bom negócio".

Presente ao evento, o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, lembrou aos empresários que a inovação gera emprego e renda nas comunidades. "Precisamos que mais empresários inovem em suas empresas, assim irão contratar mais e gerar emprego em toda a cadeia produtiva. Com isso, eles estão fazendo um país mais justo e mais competitivo", disse Okamotto.

Dividido em dois blocos, o evento, cujo formato também era inovador – um talk-show interativo na 'arena da inovação' -, trouxe três consultores especializados no tema: Carlos Américo Pacheco, do Instituto de Economia da Unicamp, Helio Gomes de Carvalho, professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, e José Miguel Chaddad, diretor-executivo da Anpei.

Eles falaram sobre a importância de inovar, as diferenças entre inovação e invenção, a inovação nos mais diferentes segmentos, metodologias, entre outros. Segundo o diretor da Anpei, José Miguel Chaddad, a maioria das inovações em micro e pequenas empresas não é resultado de invenções. A inovação pode ser nos modelos de negócios, em serviços, em produtos. Para isso, é preciso criatividade e pró-atividade para inovar.

Para Pacheco, a inovação pode ser para a empresa, para o mercado e também para a comunidade. O evento também trouxe vários empresários que testemunharam a importância da inovação em suas empresas.

Um dos casos mais interessantes foi do empresário pernambucano Edilson Tavares Lima, da Lavandeira Mamute, em Toritama, no agreste do Estado. Toritama significa região de pedra. A cidade é uma das mais secas da região. Apesar disso, Edilson montou uma confecção de Jeans e uma lavanderia. A escassez de água obrigava o empresário a comprar por mês 300 mil litros. Depois de muito pelejar, desenvolveu uma estação de tratamento de água e conseguiu com isso reciclar 50% da água consumida.

Ferramentas
No segundo bloco, o diretor Luiz Carlos Barboza apresentou a palestra ‘Ferramentas da Inovação’, mostrando o ciclo de soluções que o Sebrae tem levado aos empresários em todo o País. O diretor aproveitou a oportunidade para lançar dois novos produtos: uma cartilha com a história de um empreendedor do ramo de confecção que inovou e o kit i9, que estarão disponíveis em todas as unidades do Sistema Sebrae.

A entidade pretende distribuir 115 mil cartilhas. “O kit também ajudará o empresário nas técnicas de convergência e divergência de informações”, disse o diretor. O Sebrae também realizará 300 eventos (palestras, seminários e workshops) de sensibilização em todo o Brasil em 2009. Em três meses, já foram realizados 167 eventos, com 15 mil participantes.

Recentemente a entidade lançou o Portal da Inovação e também um blog para interagir diretamente com os empresários. O portal já recebeu 20 mil visitas e, em dois meses, o blog teve 185 mil acessos. Na capacitação do empreendedor, o Sebrae está disponibilizando cursos presenciais de 15 horas, além de três horas de consultoria gratuita em todos os Estados do Brasil.

Uma parceria com o Canal Futura resultou na exibição de 20 programas de TV sobre o tema. Além disso, 500 emissoras de rádio de todo o País – cerca de 8 milhões de ouvintes - estão veiculando 120 programas com casos de empreendedores inovadores e com consultores respondendo a perguntas.

O Sebrae também está capacitando instituições de conhecimento e tecnologia para ajudar os empreendedores. “Temos uma parceria com o Serviço Brasileiro de Resposta Técnica, com 13.500 soluções já encontradas”, disse o diretor.

Barboza lembrou também na área de consultoria o projeto piloto do “negócio a negócio”, com a criação dos Agentes Locais de Inovação (ALI), nos Estados do Paraná e Distrito Federal. “Vamos estender essa consultoria em breve para 17 Estados. O objetivo é atender 30 mil pequenas empresas até o final do próximo ano”.

Ele também mostrou as possibilidades de linhas de financiamento e principalmente os editais que existem para ajudar o pequeno empresário a inovar. O Sebrae já colocou R$ 100 milhões do edital Sebrae/Finep. Em três anos já foram atendidos 750 empresários. “Com todas essas ferramentas o que nós queremos é que os empresários brasileiros sintam-se confiantes na importância da inovação e que possam usar esses canais em benefício da empresa e da comunidade”.
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