Usinagem: relação empresas e universidade


A tecnologia da usinagem ganha, a cada dia, novas possibilidades de aplicação, garantindo que os benefícios inerentes a esse processo façam reduzir o prazo de retorno do investimento. Máquinas com tecnologia de ponta estão em constante evolução e são disponibilizadas pela indústria mundial, melhorando o binômio custo x benefício e permitindo que um maior número de indústrias possa ter acesso à elevada qualidade, maior produtividade, automação, entre outras importantes características, que esses equipamentos trazem.

"A indústria brasileira tem acesso às mais avançadas tecnologias de usinagem de todo mundo e o segredo está em usar plenamente os recursos que essas máquinas oferecem. A experiência de chão de fábrica dos operadores deve ser adicionada às novas tecnologias das máquinas; a indústria tem que testar junto aos fabricantes - que é o expert em relação à solução das necessidades da produção. E conversar com as universidades pode ser um bom caminho adicional", explica o Prof Dr. Amauri Hassui, Laboratório de Usinagem do Departamento de Engenharia de Fabricação, da Faculdade de Engenharia Mecânica da UNICAMP.

Para o Prof Amauri, ainda existe uma lacuna de conhecimento sobre usinagem nas indústrias. E a universidade pode ser um elo de conhecimento. O Governo subsidia um corpo docente para pensar, para testar e solucionar problemas. "Foi-se o tempo em que prazos eram entraves, que a teoria rondava a universidade; isso mudou. Mas é preciso que aindústria aponte suas necessidades, traga seu problema. É importante ressaltar que "a elocubração" é papel da universidade e que essa prática leva aos saltos tecnológicos também", completa o Prof Amauri.

Na Unicamp, a área de usinagem é acadêmica, mas prática. E, ao lado de outras universidades brasileiras, formam um grupo de excelencia em usinagem, focando uma pesquisa mais aplicada, testando e fazendo comparativos, numa abordagem mais prática e que atende melhor as necessidades do país. "No Brasil, desenvolvemos pouco, mas produzimos muito", completa.

Em termos de usinagem, a indústria nacional fabrica e usina muito, situando-se num bom patamar operacional, mas ainda carece de conhecimento. O departamento de projetos da maioria das indústrias é quase sempre integrado aos demais e seus profissionais bastante interessados na atualização, aprimoramento, procurando fazer seu mestrado. Um profissional com maior conhecimento enxerga a necessidade de atualizar sua produção, de trazer novas tecnologias e investe mais.

A demanda vinda da indústria para a universidade ainda é pouca. "Hoje o que existe é que a universidade pressente o que o mercado está procurando, desenvolve e oferece à indústria. Meu ideal é que parte dos meus alunos de mestrado trabalhe no experimento propriamente; outra trabalhe a teoria, e outra ainda, faça o meio de campo entre o teórico e o chão de fábrica, o que certamente trará respostas eficientes para a indústria", diz o prof Amauri.

Sobre o desejo, que paira no mercado, de substituir a retífica pela usinagem, acredita que "a retificação tem um nicho de atuação que é só dela e que vai demorar a mudar. Para materiais de dureza muito elevada e situações específicas, como na indústria de rolamentos ou quando da necessidade de textura de superfície, a retífica é mais produtiva".

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