FPT Powertrain inicia pré-série em Campo Largo

Foto: Divulgação

Franco Ciranni, superintendente da FPT Powertrain Tecnologies, fabricante de motores e transmissões do Grupo Fiat, anunciou a Marli Olmos, do jornal Valor, que nos próximos dias iniciará a produção pré-série dos motores da família 1.4 e 1.6 litro na fábrica de Campo Largo, no Paraná.

A empresa não confirma, mas trabalha também em um propulsor de maior cilindrada para a substituição do já antiquado 1.8 litro fornecido à Fiat Automóveis pela General Motors, como fruto da joint venture Fiat GM Powertrain, já desmanchada. Ciranni disse à jornalista Marli Olmos, do Valor, que a montagem em série começará antes do final do ano na fábrica de Campo Largo, onde trabalham 250 pessoas.

Investimentos em motores
Continuam a avançar os expressivos investimentos na área de motores anunciados por montadoras e empresas de autopeças quando os cenários na indústria automobilística brasileira eram de crescimento acelerado. A Ford trabalha na família de propulsores Sigma, que serão montados em Taubaté, SP, para atender novos modelos. A Volkswagen já desenvolveu uma nova geração de motores em São Carlos, SP, e ampliou a capacidade de produção.

A GM confirmou mais de uma vez que não vai recuar no projeto da fábrica de motores em Joinville, SC. A Honda nacionalizou boa parte de seus propulsores, que antes eram importados. MWM International e Cummins vêm investindo continuamente em novos produtos e tecnologias, pensando inclusive no atendimento às normas Euro 5. A Tupy havia anunciado também investimentos significativos na produção de blocos de motor.

Há pouco mais de um ano, o professor Francisco Nigro, da Poli e do IPT, afirmava que ‘acontecia um momento de festa para os pesquisadores na área de motores’. Ele se referia, em especial, ao desenvolvimento de novos combustíveis e ao aperfeiçoamento dos motores flex, que acabaram ganhando o sistema de partida a frio.

Campo Largo
Franco Ciranni vive dias agitados, no ritmo das rápidas mudanças globais do setor. Não bastassem os altos e baixos no mercado doméstico, surgiram agora novas perspectivas diante da joint venture com a Chrysler. Fornecedor exclusivo de motores flex para a Fiat Automóveis e diesel para a Iveco, Ciranni também não esconde suas expectativas em relação ao comportamento do mercado interno. Com a queda nas encomendas no final do ano e um primeiro trimestre de causar arrepios, o executivo fazia contas para justificar que a compra da fábrica da Tritec, no Paraná, em março de 2008, foi um bom negócio.

Por US$ 250 milhões a FPT absorveu a unidade de Campo Largo, criada para fornecer motores à Chrysler e BMW. Apesar da queda no mercado automotivo, Ciranni garante que a aquisição foi importante para elevar a capacidade no fornecimento de motores e explicou recentemente a Automotive Business que a nova unidade é moderna e os projetos dos motores são avançados, trazendo novas oportunidades no desenvolvimento do portifólio de produtos da empresa. “Estamos adequando a fábrica ao nosso estilo de produzir. Estamos também nos empenhando em criar a versão flex do motor Tritec, originalmente concebido para gasolina pura” – disse Ciranni, que deslocou ao Paraná parte de sua equipe para comandar a operação.

A empresa não adquiriu, no pacote de compra, a opção pelo modelo turbo. No entanto, não terá dificuldade em desenvolvê-la, se julgar adequado. Os motores turbos ainda não têm preço competitivo para brigar no mercado interno e só poderão ser justificados em veículos de categoria superior, como o Linea, que utiliza o T-Jet importado.

Embora a FPT tenha opção de produzir motores 1.4 avançados em Campo Largo, a fábrica de Betim dá conta do recado com a versão Fire, que tem custo adequado para a realidade brasileira. É difícil acreditar que Ciranni tivesse pensado em fornecer motores à Chrysler quando a FPT adquiriu a unidade de Campo Largo.

Agora a oportunidade parece se abrir, já que os carros compactos serão parte importante nos planos da aliança que Fiat e Chrysler estão costurando. A ordem, na FPT, é buscar novos clientes para seus produtos – seja no Brasil, com motores flex, ou no exterior, com seus motores adequados a gasolina pura.
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