Carteiras de leasing e CDC chegam a 145,8 bilhões

Mais de 41% das vendas são feitas à vista. Veja as mudanças no comportamento do consumidor brasileiro

Foto: Divulgação

Recente levantamento da Anef (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras) sobre o primeiro trimestre de 2009 aponta crescimento de 21,5% do saldo de leasing e CDC (Crédito Direto ao Consumidor) para aquisição de automóveis por pessoas físicas. As carteiras saltaram de R$ 120 bilhões em março de 2008, para R$ 145,8 bilhões no mesmo mês deste ano. Este montante representa 35,7% de todo o crédito concedido pelo Sistema Financeiro Nacional para pessoas físicas.

Analisadas separadamente, a carteira de CDC caiu 2,6% em comparação ao primeiro trimestre de 2008, de R$ 83,7 bilhões para R$ 81,5 bilhões. Já o saldo das operações de leasing cresceu 77,1%, de R$ 36,3 bilhões em março do ano passado, para R$ 64,3 bilhões em março deste ano. “A preferência entre uma modalidade e outra está principalmente relacionada ao custo de cada uma delas. Em 2008, o CDC cedeu espaço para o leasing uma vez que este não sofre a incidência do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), cuja alíquota foi majorada em janeiro de 2008 para 3,38% e em dezembro reduzida para 1,88%. Esta redução ainda não reflete na carteira, mas já pode ser vista na participação de cada modalidade”, afirma Luiz Montenegro, presidente da Anef.

Outro ponto relevante no período foi a queda da taxa média de juros, que atingiu em março o patamar de 1,63% ao mês (21,41% ao ano). Em fevereiro de 2009, os juros estavam em 1,70% (22,42% ao ano). Quando relacionado a março de 2008, período em que se registraram juros de 1,61% ao mês (21,13% ao ano), as taxas ainda estão superiores, porém com forte tendência de queda.

Em relação aos planos de financiamento oferecidos pelas financeiras, os três primeiros meses do ano permaneceram estáveis, com plano máximo de 60 meses e média de 40 meses. Em comparação com o primeiro trimestre de 2008 houve queda, já que registrou-se planos máximos de 72 meses e médios de 42 meses.

A inadimplência acima de 90 dias em março permaneceu em alta, chegando a 5,1% da carteira da CDC, 1,8 ponto percentual maior do que no mesmo mês do ano passado. No mês anterior, em fevereiro de 2009, a inadimplência estava em 4,8% da carteira. “A elevação do índice de desemprego nos parece ser o principal motivo para este acréscimo da inadimplência, que ainda está em patamares administráveis. A inadimplência sobre a carteira total de crédito no mercado está em 8,3%, completa Montenegro.

Mudança de comportamento do consumidor
Nos três primeiros meses de 2009, 59% dos consumidores optaram pela aquisição de automóveis e comerciais leves a prazo, contra 41% à vista. Até o ano passado, as vendas à vista contemplavam 36% do total comercializado. As promoções com a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) levaram consumidores de maior poder aquisitivo e de veículos de maior valor, inclusive importados que usualmente utilizam pouco crédito, às lojas. Este comportamento refletiu no aumento de cinco pontos percentuais nas vendas à vista no último trimestre.

Outra mudança foi o aumento da participação do CDC e do consórcio. No ano passado mediamente o CDC correspondia a 22% das vendas e o consórcio a 4%. No primeiro trimestre de 2009, a participação destas modalidades subiu para 25% e 5%, respectivamente. Já o leasing passou de 38% no ano passado para 29% no primeiro trimestre de 2008.

“O aumento da participação destas modalidades ocorreu principalmente por conta da redução do IOF, que reduziu de 3,38% do valor total financiado para 1,88%, como já mencionado. Outro ponto é a maior facilidade de operação do CDC por parte das instituições financeiras, que agora mais barato, começa a apontar uma retomada da sua tradicional participação no mercado”, analisa Montenegro.

No caso de veículos comerciais, 53% das vendas ocorreram por meio de Finame, 21% por leasing, inclusive Finame leasing, 12% por CDC e 3% por meio de consórcio. Já no mercado de motocicletas, 47% das comercializações ocorreram por meio de CDC, 30% por consórcio e 2% por leasing. A participação do consórcio, que fechou 2008 em 22% do total das vendas, volta a crescer, por conta do aumento das exigências para obtenção do CDC e do leasing para o setor.
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