Faturamento das indústrias de alumínio cresce 33%


Oito pequenas empresas de alumínio de Ferraz de Vasconcelos, na grande São Paulo, se uniram para fortalecer a industrialização e a comercialização de produtos no setor. Todo o trabalho é feito em parceria com o Sebrae. O núcleo de alumínio da cidade reúne fabricantes de utilidades domésticas, assadeiras e lingotes de alumínio.

Estas empresas participam do programa de acesso ao mercado. A estratégia do Sebrae é buscar novos clientes. Nos últimos dois anos, o crescimento foi de 33% nas vendas.

“As empresas são muito focadas na parte de produção. Sabem produzir, mas não sabem vender. Então nós fizemos um projeto aqui focando na parte comercial e na parte de infra-estrutura para a empresa vender melhor”, diz o consultor do Sebrae Gilberto Campião.

A empresa de Áureo do Carmo recicla alumínio. Todos os dias, a fábrica recebe toneladas de sucata. Todo o material é prensado; depois, os blocos são jogados em fornos para derreter. Logo são moldados e viram lingotes de alumínio secundário. Com o programa do Sebrae, o faturamento da empresa aumentou mais de 200%. E tudo isso, em tempos de crise mundial.

“Na base da economia, nós tiramos o “s” da ‘crise’ e ficou ‘crie’. Com certeza, temos bastante criatividade para irmos para o mercado e conquistar novos desafios”, diz o empresário Áureo do Carmo.

O alumínio é a matéria-prima de milhares de produtos. A fábrica vende para mais de 80 empresas. O segredo do empresário é ficar atento às necessidades do mercado. “O setor de iluminação é um setor muito bom. O setor de bicicleta, também. Nosso produto atinge muitos segmentos”,diz o empresário.

O empresário tem duas metas para 2009. Uma delas é criar, junto com outros empresários, um aterro sanitário. E a outra é aumentar a produção. “O mercado de hoje consome, em ligas secundárias, 25 mil toneladas/mês. Nosso objetivo é atingir 1% desse mercado, um número pequeno, mas, se nós fizermos 250 toneladas/mês, para o tamanho da nossa empresa, é um bom número”, diz o empresário.

Esta outra indústria de alumínio é especializada na produção de assadeiras. Aqui são fabricados 55 modelos. A empresa foi criada há três anos pelo pai de Thiago Rodrigues de Souza. O trabalho do Sebrae começou com uma mudança no modelo de gestão.

“Por se tratar de uma empresa familiar, as decisões eram muita centralizadas. A partir da profissionalização da gestão, delegamos funções e responsabilidades às pessoas responsáveis por cada departamento”, diz Thiago.

Hoje a empresa tem gerente de logística, de recursos humanos e de vendas. E agora já possui 21 representantes comerciais em todo o Brasil. O novo site também atrai clientes. Com o aumento nas vendas, a empresa melhorou o setor produtivo. A estratégia aqui foi transformar os colaboradores em parceiros.

“O trabalho dos funcionários foi valorizado. Entre vários benefícios, o principal é a participação nos lucros na empresa. E tem mais: quem não falta ao serviço ganha prêmios em dinheiro. Com isso, o número de faltas caiu 75%. O resultado de tantas mudanças sai desta máquina: 100 mil assadeiras a mais por ano”, diz Gustavo Gonçalves.

Os operários têm liberdade para sugerir mudanças e apresentar soluções para problemas da fábrica. Os funcionários que se destacam logo são promovidos. “Eu entrei aqui como ajudante, passei para operador, hoje eu sou líder de laminação. Meu objetivo é sempre crescer”, diz o líder de laminação, Ednaldo de Souza Pereira.

A empresa implantou um programa de controle de produção. Toda demanda do mercado é coordenada com a oferta de estoque. Com o projeto do Sebrae, o faturamento da empresa já cresceu 74%. A fábrica vai ser ampliada em mais 1500 m² e a produção deve aumentar 50%.

“Eu me sinto feliz em ver minha empresa, que outrora tinha 30 funcionários, depois de dois anos ter 65 funcionários. São 65 famílias empregadas. A gestão da empresa hoje não é simplesmente lucrar, lucrar e lucrar. É ver essa organização crescer como um organismo da sociedade”, diz.
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