1ª Cúpula Energética Sul-Americana

O presidente negou que o etanol teria sido motivo de divergências

Fonte: O Estado de São Paulo

Foto: Divulgação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta terça-feira, 17, que não se discutiu, na 1ª Cúpula Energética Sul-Americana, nem a criação do Banco do Sul nem a formação da chamada "Opep do Gás". Em relação a ambas as propostas - lançadas pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez - Lula indicou que manterá cautela e se mostrou um pouco contrário aos modelos apresentados.

O presidente brasileiro afirmou, em entrevista coletiva, que, antes de tudo, é preciso se definir o que será esse banco. "Ele é um banco com a finalidade do FMI? Com a finalidade do Banco Mundial? Com a finalidade do BNDES?", questionou. "Primeiro, temos de definir por que queremos um banco, qual sua finalidade, para depois saber dizer se compensa participar, ou não", completou.

Lula insistiu em esclarecer que não houve nenhum discussão, durante os encontros da cúpula, sobre a formação da "Opep do Gás" e informou que esse tema não consta da declaração final assinada nesta terça pelos chefes de Estado sul-americanos participantes da reunião.

Ele se mostrou aborrecido com o anúncio, feito nesta manhã, pelo ministro de Energia da Bolívia, Carlos Villegas, de que o Brasil teria pedido para ingressar nesse organismo. "Como somos presidentes, livres e democratas, cada um fale o que quiser pelos corredores", disse.

Biocombustíveis

O presidente voltou a afirmar que a produção de biocombustíveis será uma boa saída para as economias mais pobres do mundo e defendeu a tese de que não existe competição entre a produção de alimentos e a de insumos para os biocombustíveis. "Ou seja: ninguém vai deixar de plantar feijão para plantar biocombustíveis. Ninguém vai deixar de plantar arroz para plantar biocombustíveis."

Lula procurou desfazer a versão de que a discussão sobre o assunto teria sido motivo de grandes divergências entre os países, principalmente entre o Brasil e a Venezuela. Ele insistiu na informação de que, na declaração final sobre o encontro, foi incluído um trecho que reforça a "defesa de conhecimento da política de combustíveis renováveis" e ressaltou que a Venezuela está comprando etanol do Brasil.

Na verdade, Caracas interrompeu essa importação em outubro do ano passado e pretende retomá-la neste ano. Chávez foi um dos primeiros críticos do plano de expansão da produção de etanol anunciado por Brasil e Estados Unidos.

Lula disse que espera ver todos os países do mundo adotarem o Protocolo de Kyoto e adicionarem à gasolina combustíveis não poluentes. "Para que (se) possa despoluir o planeta. Então, todo mundo vai precisar do etanol", previu o presidente brasileiro.

Resultado

Lula deixou, nesta tarde, Isla Margarita, na Venezuela, e embarcou de volta ao Brasil - oportunamente, antes da entrevista coletiva dos demais presidentes, que será conduzida pelo venezuelano, Hugo Chávez, após o encerramento da cúpula.

Lula afirmou, e repetiu, que o resultado dessa primeira reunião de presidentes da América do Sul para tratar da integração energética foi "extraordinário". "Nós consolidamos a união da América do Sul. Nós criamos uma Secretaria permanente e, pela primeira vez, fizemos uma discussão muito forte sobre a integração energética".

O presidente brasileiro afirmou ainda que o potencial energético da América do Sul é equivalente a todas as reservas de petróleo existentes no mundo, referindo-se ao somatório do potencial de produção de gás, petróleo, biodiesel e energia hidráulica e eólica."
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