Vale faz baixa de R$ 2,4 bilhões na Inco


A Vale reduziu em R$ 2,4 bilhões o valor de sua subsidiária canadense Inco, adquirida em 2006, por US$ 18 bilhões. O ajuste foi feito por conta da nova lei contábil, em vigor desde 2008, que obriga a avaliação regular dos ativos das companhias.

Esse impacto é reflexo da adoção de uma das regras da nova lei contábil brasileira, o chamado teste de "impairment", ou "valor recuperável" dos ativos. Na prática, isso nada mais é do que a companhia provar que ela consegue transformar o valor de seus ativos em lucro, seja com pela operação ou pela venda do negócio. A partir do balanço anual de 2008, as empresas são obrigadas a fazer testes e estudos para verificar a eficiência de seus registros.

A mineradora informou um lucro líquido de R$ 10,4 bilhões no último trimestre de 2008, que não inclui a baixa contábil da Inco. A Vale só fez o desconto no resultado anual, que são os dados oficiais enviados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A companhia compensou a baixa da Inco, além de um efeito negativo cambial sobre investimentos no exterior de R$ 5,9 bilhões, com um ganho financeiro de R$ 2,5 bilhões no trimestre, comparado com R$ 395 milhões do quarto trimestre de 2007, e com um crédito fiscal de R$ 2,4 bilhões, comparado a uma perda de R$ 183 milhões no mesmo período de 2007.

Apesar da receita operacional bruta da Vale ter alcançado R$ 17,9 bilhões no quarto trimestre, ante R$ 15,5 bilhões no mesmo trimestre de 2007, o resultado operacional da companhia foi prejudicado em R$ 1,6 bilhão por "outras despesas operacionais", que incluem ajustes no valor de estoques, baixas de ativos intangíveis e taxas logísticas.

A margem operacional sem os efeitos de amortização e depreciação do quarto trimestre caiu para 37%, ante 41% no mesmo periodo de 2007.

A companhia destacou que teve redução de venda em vários segmentos por conta da crise econômica global que atingiu violentamente o mercado de commodities, com destaque para os metais.

O volume de minério de ferro vendido no quarto trimestre foi de 46,4 milhões de toneladas, ante 66,3 milhões no quarto trimestre de 2007. O volume de pelotas caiu para 8,7 milhões de toneladas e o de manganês, de 256 mil toneladas no quarto trimestre de 2007 para 61 mil toneladas no último trimestre de 2008.

Os minerais não-ferrosos níquel, cobre, bauxita, alumina, alumínio, caulim, potássio, metais e cobalto perderam participação na receita da companhia por conta da queda dos preços do níquel ocorrida a partir do terceiro trimestre de 2008. No quarto trimestre, a receita com estes produtos somou R$ 4,7 bilhoes, ante R$ 6,2 bilhões no mesmo periodo de 2007.

No acumulado do ano, a receita operacional bruta da Vale alcançou R$ 72,7 bilhões e o Lajida, R$ 35 bilhões. O lucro líquido ajustado foi de R$ 21,2 bilhões com um lucro líquido por ação de R$ 4,08 (ajustado por desdobramentos de ações ocorridos no ano) ante R$ 4,14 em 2007).

A dívida total da empresa era de US$ 18,2 bilhões, com prazo médio de 9,28 anos e custo médio de 5,8% ao ano. A amortização da dívida prevista para este ano é de U$ 322 milhões.

A Inco causou pouco estrago perto do que a Xstrata poderia ter feito ao balanço da Vale. Em março, a empresa desistiu do negócio, que poderia chegar a US$ 90 bilhões.

O valor de mercado da Xstrata atualmente é da ordem de 10% do negociado pela Vale. A companhia brasileira, na atual situação de mercado, perderia o valor do ativo com baixa contábil similar a da Inco, mas ficaria com a dívida.
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