Para Siemens, Brasil é jóia da coroa entre os Brics

Empresa faturou 33% a mais no Brasil em 2008, taxa que supera resultados da Rússia, China e Índia

Foto: Divulgação

Em meio à turbulência do cenário mundial, o Brasil virou a menina dos olhos da gigante Siemens entre os Brics. O aumento de 33% no faturamento em território brasileiro em 2008, além de ser uma das maiores taxas de crescimento já registrada nos últimos anos, ultrapassa seus pares Rússia, China e Índia, que apresentaram expansão de 25%, 18% e 12%, respectivamente, nos negócios da corporação de origem alemã.

“Superamos a meta estabelecida mundialmente por nossa casa matriz, a de crescer duas vezes mais que o PIB mundial”, comemorou Adílson Primo, presidente da Siemens no Brasil, durante divulgação do balanço da empresa no início de dezembro.

Esse desempenho refletiu na posição otimista que a empresa adotou no país e vai repercutir na continuidade de investimentos para o próximo ano. “Vamos investir entre R$ 120 e R$ 130 milhões no País, praticamente o mesmo valor do ano fiscal passado e vamos manter os investimentos de mais de R$ 50 milhões na expansão de duas fábricas de equipamentos para o setor enérgico, situadas no complexo industrial em Jundiaí, no interior de São Paulo”, afirma Primo.

No Brasil, o faturamento líquido da companhia chegou a R$ 4,6 bilhões durante o ano fiscal iniciado em outubro de 2007 e encerrado em 30 de setembro. “Os números deste ano refletem o novo portfólio da empresa organizado desde janeiro nos setores de energia, indústria e healthcare, que inclui audiologia, diagnósticos por imagem e terapia, laboratory diagnostics e modalidades clínicas”, exemplifica o executivo.

O bom desempenho da Siemens no Brasil durante o último ano fiscal deve-se principalmente aos mercados de geração de energia, automação industrial, drives, iluminação, papel e celulose, óleo e gás, mineração, siderurgia, transportes e saúde.

Ainda no exercício de 2008, duas novas fábricas foram inauguradas no complexo fabril de Jundiaí (SP). “Também foi iniciado o processo de transferência de tecnologia para produzir transformadores de corrente contínua em alta-tensão localmente e foi inaugurada nova unidade industrial para fabricação de reguladores de tensão”, afirma o executivo.

A tormenta que promete continuar invadindo os mercados externos em 2009 parece não abalar o presidente da Siemens, que faz planos ambiciosos para o futuro. Ele vê a crise como uma grande oportunidade de negócios.“O ano de 2009 é o momento de aproveitar as oportunidades no segmento de energia, que foi o que mais cresceu em 2008 e continuará em alta no próximo ano. Os projetos em energia são de longo prazo e nós estamos envolvidos em empreendimentos que estão começando, como grandes hidrelétricas e grandes linhas de transmissão no País”, enfatiza o executivo.

Mas para manter as expectativas do crescimento econômico, o Brasil terá que incrementar a sua matriz energética em 4 ou 5 mil megawatts por ano reconhece o executivo. “Vamos investir nos nossos negócios de energia para atender essa demanda”, afirma.

Outro grande passo que a Siemens está por dar é na direção da Usina Hidrelétrica de Jirau em Rondônia. A companhia está em negociações com a Suez, empresa que lidera o consórcio vencedor do leilão para construção do empreendimento. A intenção da companhia é fornecer turbinas e geradores e componentes de subestações.

O interesse em Jirau reforça que uma das prioridades da Siemens no Brasil é o mercado de geração de energia elétrica. Outro alvo da empresa, no entanto, é a expansão do parque nuclear brasileiro, como informou o presidente. “Temos todo o interesse, porém acho que se deveria terminar Angra 3 primeiro”, afirmou o executivo, referindo-se ao empreendimento cujas obras estão paralisadas há mais de vinte anos.

No cenário macroeconômico, Primo visualiza a desvalorização do real em relação ao dólar como uma grande oportunidade para aumentar as exportações da companhia. “As unidades do Brasil irão fornecer equipamentos para as Américas do Norte, Central e Sul”, revela. “Nossa prioridade é o mercado interno, mas não vamos virar as costas para o externo”, acrescenta.

O presidente da empresa espera que o dólar se “estabilize entre R$ 2,10 ou R$ 2,15”, câmbio considerado ideal pela Siemens. “Teremos um ganho importante de competitividade”, ressalta, ao lembrar que em agosto o câmbio situava-se em R$ 1,60.

O executivo tem expectativa de que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) deverão cumprir papel fundamental no processo de crescimento do mercado atendido pela companhia com sede internacional em Munique, na Alemanha. “O PAC foi essencial para colocar o crescimento na agenda do país”, apregoa.

Ele também citou as vantagens do BNDES no papel de financiador das empresas do país.”O BNDES garante o financiamento de 70% dos projetos de energia, com a vantagem de que o dinheiro disponível é todo em reais, livre do problema de câmbio, além de não levar em conta o risco-País”, observa.

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