U$ 2,4 bi em máquinas industriais vendidas em 2008

Desaceleração do último trimestre não compromete resultado positivo do ano

Foto: Divulgação

Apesar do desempenho negativo no último trimestre de 2008, o faturamento do setor de máquinas chegou a 2,4 bilhões de dólares este ano. Em 2007 o setor faturou 2 bilhões e esperava-se um crescimento de 30%, que não foi alcançado. Para Thomas Lee, presidente da Associação Brasileira de Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais – Abimei, a dificuldade é que o setor de máquinas depende de crédito de longo prazo (entre 2 e 3 anos) para realizar as vendas. Como está muito difícil conseguir novos financiamentos, as máquinas já começam a se acumular nos portos sem que os compradores consigam viabilizar o pagamento.

Os meses de outubro e novembro registraram 70% queda dos novos negócios para os importadores de máquinas. Mesmo assim, os resultados do ano não são negativos porque muitas das mercadorias que estão sendo entregues haviam sido encomendadas há mais tempo. Cerca de 20 a 30% dos pedidos foram cancelados e isso fez com que a estimativa de vendas para esse ano, de 2,6 bilhões de dólares, não fosse atingida. Thomas acredita que a importação de máquinas vai cair muito e com isso o preço delas deve diminuir em  20%.

O resultado do último trimestre de 2008 já reflete o impacto da crise. Os valores são menores do que os do mesmo período de 2007 e, segundo o presidente da Abimei, já se percebem os primeiros sinais de inadimplência, que não chegam a ser prejuízos reais, mas renegociações de dívidas. Em 2009 a inadimplência deve aumentar ainda mais, por isso os bancos não estão financiando. Thomas citou o banco Safra como exemplo. A instituição está diminuindo o crédito de excelentes clientes: preferem ficar parados a levar calote.

Entre os subsetores envolvidos com a compra de máquinas, Thomas acredita que a inadimplência atingirá principalmente as máquinas-ferramentas, já que as vendas setor automobilístico estão caindo muito. Dois terços das máquinas compradas no Brasil vão para o setor automotivo, mas quem as compra são as fabricantes de auto-peças e não as montadoras. Os setores agrícola e aeronáutico também vão sofrer com a crise de crédito. Segundo Thomas, a Embraer teve muitos pedidos cancelados, principalmente de clientes chineses. 

Para amenizar os problemas de crédito, as empresas estão tentando negociar com o governo prazos maiores para pagar os impostos, que seria uma forma alternativa de concessão de crédito. Além disso a Fiesp propôs que a Nossa Caixa passe a realizar o financiamento de máquinas, mas o governo ainda não resposdeu a essas questões. Uma maior estabilidade do câmbio também contribuiria para aumentar as vendas, já que a oscilação desestimula a compra bens duráveis.

E 2009?

Para Thomas, os piores meses de 2009 serão janeiro e fevereiro. Março deverá ser um mês crucial para avaliar a extensão da crise. As empresas devem começar a reavaliar seu estoque, e, caso as vendas não melhorem, devem demitir funcionários.

O presidente da Abimei acredita que a economia passará por um processo de balanceamento no começo do ano e espera uma melhora para o segundo semestre. “Até lá quem tiver que quebrar, já quebrou”, disse.

Mesmo com o cenário pessimista para 2009, em comparação com 2008, Thomas acredita que voltar aos números de 2007 não é um resultado desastroso. Apesar da desaceleração, a economia cresceu tanto desde 2006 que as empresas têm “gordura para queimar”. O consumidor também deve ganhar confiança até o segundo semestre de que não será demitido e voltará a consumir. Nas vendas à prazo, os financiamentos de imóveis são os únicos que não diminuíram. O governo está estimulando a construção de moradias de baixa renda para evitar uma onda de desemprego, e o setor da construção civil, apesar do  cancelamento de alguns empreendimentos, deve continuar aquecido.

Para 2009 a expectativa é de que o setor de máquinas fature 1,8 bilhões de dólares se o câmbio permanecer entre 2,20 e 2,40. Ao invés de comprar máquinas novas as empresas devem investir na manutenção e modernização das que já tem, por isso o setor de peças deve sentir menos os efeitos da crise. As máquinas de alta tecnologia, que são mais precisas e aumentam a competitividade dos produtos, também serão menos afetadas.

A Abimei existe há 5 anos e reúne 77 importadores de máquinas e equipamentos industriais que respondem por de 80% das transações da área.

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