Investimentos em energia limpa crescem em 2008 no Brasil

Fonte: Carbono Brasil - 14/11/08
Foto: Carbono Brasil

Enquanto no panorama mundial os novos investimentos em energia limpa tiveram uma leve queda neste ano em relação a 2007, no Brasil houve um aumento, segundo projeções da New Energy Finance.  Faltando pouco menos de dois meses para o fim do ano, o Brasil já obteve US$ 8,8 bilhões em investimento em novos projetos ou expansão dos que estão em andamento, representando uma alta de 30% em relação ao ano passado (US$ 6,1 bilhões).

“A maioria destes investimentos foram no setor de biocombustíveis, seguido por pequenas centrais hidrelétricas e por usinas eólicas”, explica a analista senior da New Energy Finance no Brasil, Camila Ramos.

No entanto, a crise financeira global impactou os investimentos no quarto trimestre do ano, que desaceleraram em comparação com os outros trimestres de 2008. “Com isso, a crise começa a impactar os investimentos em renováveis no Brasil também, mas não ao ponto de abalar o resultado final para 2008 em comparação com 2007”, esclarece Camila.

Os investimentos públicos, fusões e aquisições também serão menores em 2008 em comparação com 2007, segundo a especialista.

A New Energy Finance, especializada em energias renováveis e mercado de carbono, prevê para 2009 uma retomada das trajetórias de crescimento no Brasil em relação ao quarto trimestre de 2008. “Isto será devido ao aumento da demanda de energia no país, ao apoio do governo ao desenvolvimento de renováveis – como o leilão de eólica previsto para o primeiro semestre de 2009 – e a uma provável onda de fusões e aquisições no setor, incluindo maior interesse das grandes empresas de energia em renováveis”, explica Camila.

Cenário internacional


As previsões da empresa para os novos investimentos mundiais em energias limpas são de US$ 142 bilhões neste ano, uma queda de 4% em relação ao recorde do ano passado, US$ 148 bilhões.

Incluindo as fusões, aquisições e compras de participações majoritárias em empresas, que representam mudanças de controle acionário, o total de valores negociados no setor de energias limpas em 2008 está previsto para US$ 192 bilhões, uma queda de 6,5% em comparação ao ano passado, que registrou US$205 bilhões.
 
Por trás da baixa de 4% nos novos investimentos estão a falta de crédito e a crise financeira mundial, que provocaram uma brusca queda no fluxo de investimentos para as energias limpas via mercados dos setores públicos e uma caída mais modesta no financiamento de projetos como as usinas eólicas, parques solares e usinas de biocombustíveis. Por outro lado, alguns outros fluxos financeiros, notavelmente capitais de risco e investimentos em ações privadas, aumentaram em 2008.

“O setor não está imune às mazelas da grande economia e do mundo financeiro, e está sofrendo alguns efeitos. No entanto, os fundamentos para o crescimento da energia limpa se mantêm robustos. Apoios políticos têm aumentado em muitos países e devem ganhar um novo impulso com a chegada do presidente Obama”, disse o presidente e CEO da New Energy Finance, Michael Liebreich.

Preocupações com a segurança energética e mudanças climáticas não serão esquecidas com as quedas provisórias do preço do petróleo, comentou Liebreich. “A New Energy Finance continua prevendo novos investimentos em energia limpa de mais de US$ 500 bilhões por ano em 2020”, afirmou.

O quarto trimestre de 2008 deve fechar em calmaria com relação aos fluxos de investimentos em energias limpas. Na avaliação da consultoria, o mercado de participações públicas e ações de empresas irá se debater devido às dificuldades atuais, e o capital de risco e os investimentos em participações privadas devem cair um pouco depois de um forte terceiro trimestre. Porém, mesmo assim, ainda será melhor que o último semestre de 2007.

O total de bens financeiros para os projetos de energia limpa está projetado em US$ 80,6 bilhões, uma baixa comparada aos US$ 83,7 bilhões de 2007.  O principal motivo é a falta de recursos para cobrir dívidas e, nos Estados Unidos, os impostos para participações financeiras em fazendas eólicas e parques solares.

“Isto é uma conseqüência da crise bancária dos meses recentes e incertezas – até 3 de outubro – sobre a extensão das taxas de crédito nos EUA para a produção no setor eólico e de créditos para investimentos no setor solar”, avalia a consultoria.

Os investimentos públicos em 2008 estão projetados para fecharem em US$ 9,4 bilhões, bem abaixo dos abundantes US$ 23,4 bilhões em 2007.  Esta mudança se deve as quedas generalizadas nos mercados de ações.

“Isto fez as ofertas públicas iniciais (chamadas de IPO) e secundárias serem mais difíceis para todos os setores, não apenas para as energias limpas”, afirmou a New Energy Finance, lembrando que não houve nenhum grande IPO em 2008 que pudesse concorrer com os US$ 6,6 bilhões captados pela Iberdrola, empresa especializada em energias renováveis, em dezembro de 2007.

Os investimentos em energia limpa via pesquisa e desenvolvimento (P&D) corporativo estão previstos para fechar em US$ 10,9 bilhões em 2008 e P&D governamental, em US$ 8,2 bilhões. Ambos os cenários mostram uma alta em relação a 2007. O mesmo ocorre com investimentos em projetos de pequena escala, como telhados solares e usinas de biogás na agroindústria, que estão projetados para totalizarem US$ 21,5 bilhões em 2008.

As projeções da New Energy Finance foram realizadas com base em dados de investimentos feitos pela consultoria durante os primeiros três trimestres do ano e análises das prospecções para os próximos dois meses de 2008.



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