Iedi não confirma desaceleração industrial

Fonte: Joelmir Beting - 09/10/08

Ao contrário do que parecem indicar os dados do IBGE sobre a produção industrial de agosto, relativamente piores que os registrados nos meses anteriores, para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) não há, ainda, sinais de desaceleração, pois a indústria brasileira apresentou, mesmo em agosto, "padrão de crescimento rigorosamente em linha com a média de seu desempenho em 2007".

Além do efeito calendário (dois dias úteis a menos em agosto deste ano), o Iedi observa que a baixa registrada em agosto se concentrou no segmento de bens intermediários, por conta, principalmente de paralisação em importante unidade de refino da Petrobras e menor produção de componentes químicos. "Não fosse o agravamento da crise financeira externa, que certamente deprimirá, por seus efeitos esperados nas exportações e na disponibilidade e custo do crédito, o crescimento econômico brasileiro neste último trimestre, a indústria teria tudo para reproduzir em 2008 o seu bom desempenho de 2007, quando cresceu 6,0%", prevê o Iedi.

Noutra pesquisa citada, esta sobre a utilização da capacidade na indústria de transformação, realizada pela FGV, o Iedi destaca a elevação no indicador, que passou de 86,1% em julho para 86,6% em agosto, tendo, em setembro, voltado a recuar ligeiramente, declinando para 86,4%.

O Iedi também chama a atenção para os dados desagregados do desempenho industrial: a retração no nível de atividade atingiu 15 dos 27 ramos pesquisados pelo IBGE. O principal impacto negativo veio de outros produtos químicos (-5,5%), que havia cumulado crescimento de 12,3% nos três meses anteriores. Merecem destaque os alimentos (-3,1%), puxados pela redução da produção de açúcar cristal e de suco de laranja, e o refino de petróleo e produção de álcool (-4,1%), que interrompeu quatro taxas positivas consecutivas, com a parada da usina da Petrobras. Menciona o estudo do Iedi, ainda, a queda expressiva da produção de máquinas escritório e equipamentos de informática (-8,1%).

Ao considerar o acumulado de janeiro a agosto, na série mais desagregada, o Iedi indica que 55 dos 76 setores pesquisados cresceram na comparação com igual período de 2007 (57 em julho). E, pela magnitude da variação, destacam-se os subsetores de construção e reparação de vagões ferroviários (64,2%), defensivos agrícolas (38,4%), tratores e máquinas agrícolas (35,9%), construção e montagem de aeronave (35,1%), carrocerias e reboques (27,3%) caminhões e ônibus (23,8%), tubos de ferro e aço (21,6%), outros veículos (20,6%), automóveis (19,2%), tintas e vernizes (16,6%).

As quedas mais expressivas foram verificadas na produção de sucos e concentrados de fruta (-17,1%), moagem de trigo (-13,4%), fabricação de eletrodomésticos da linha marrom (-10,8%), embalagem e artefatos de madeira (-8,9%), construção de embarcação (-8,5%) e petroquímicos básicos (-8,1%).
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