Montadoras exportam engenharia automotiva

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É cada vez mais forte a tendência, entre as montadoras, de incentivar o desenvolvimento da engenharia automotiva no Brasil, que conquistou nos últimos anos reconhecimento e credibilidade entre as matrizes. Alguns sinais deste movimento são a ampliação e instalação de centros especialmente voltados para a criação de novas tecnologias e também a escolha de unidades brasileiras para o desenvolvimento de veículos globais, oriundos de arquiteturas globais, para a aplicação em veículos desenvolvidos aqui ou em outros países.

De acordo com a engenheira de produtos da General Motors do Brasil, Cátia da Silva Ferreira, a engenharia unificada, principalmente a arquitetura global, possibilita "o aumento do volume de produção e também a qualidade dos produtos lançados, graças à padronização e reutilização de componentes entre veículos de uma mesma família ou entre famílias diferentes". Além disso, segundo ela, o consumidor também adquire veículos de menor custo, uma vez que a montadora gasta pouco tempo e investimento com a elaboração de novos automóveis.

Outro exemplo de engenharia global, usado há mais tempo, é o da plataforma. De acordo com a engenheira, veículos eram desenvolvidos com pouco espaço de transformação e, quando a montadora decidia evoluir ou transformar o modelo, era preciso executar uma série de modificações, o que aumentava o tempo de projeto e o custo.

"Com a arquitetura global, o planejamento é a longo prazo. Há uma previsão da cadência de desenvolvimento do produto e, dessa forma, é possível planejar com facilidade os carros que serão derivados daquela estrutura", explicou Cátia. Arquitetura global, segundo ela, pode ser definida como um conjunto de módulos e componentes, com pontos de fixação comuns, que servirá de base para o projeto de diversos modelos de novos veículos.

De acordo com ela, o conceito de plataforma tende a ser extinto, dando lugar à arquitetura global. "Os dois conceitos buscam a padronização dos veículos; porém, a arquitetura global valoriza a diferenciação dos componentes específicos para determinado mercado e também a padronização dos componentes que compõem a base estrutural e funcional do veículo. Por isso, é mais adequada para o mercado automotivo atual, que requer veículos modernos com design diferenciado e custo competitivo. Já o conceito de plataforma não apresenta essa flexibilidade", afirmou.

Um exemplo de arquitetura global é a família Epsilon, da GM, cuja primeira versão já foi aplicada por sete marcas do grupo e em 13 estilos de carroceria, com a produção dos veículos em oito plantas de diferentes países. A Toyota já possui o conceito em sua engenharia em suas unidades no exterior e deve desenvolvê-lo igualmente no Brasil, com a inauguração da nova fábrica em Sorocaba, São Paulo, destinada para a criação de uma nova família de veículos compactos. A Volkswagen desenvolveu o Audi a partir da arquitetura global.

Baixos custos e mão-de-obra qualificada são os grandes chamarizes da engenharia nacional. Segundo Cátia, no início, o engenheiro brasileiro era capaz de "tropicalizar" facilmente modelos vindos da Europa, o que facilitou o desenvolvimento da engenharia aqui. "Aliado a esse fator, está o forte aquecimento do mercado automotivo no País, que possibilita um celeiro fértil para o crescimento da indústria", complementou.

O centro de design da GM na LAAM, região que engloba a América Latina, África e Oriente Médio, localizado no Brasil, sofre ampliação desde 2006 e deve passar dos atuais 3 mil metros quadrados para 9.150 metros quadrados. O investimento aplicado nele foi de US$ 36 milhões. O propósito é desenvolver, junto com as áreas de engenharia e manufatura, a partir de São Caetano do Sul, em São Paulo, veículos globais.

"Tivemos nas últimas décadas uma fase de adaptação de novos veículos trazidos do exterior para o mercado brasileiro, depois o desenvolvimento de derivativos e, mais recentemente, a execução de projetos inteiramente novos. Atualmente, somos também responsáveis pela criação de arquiteturas globais", explicou o vice-presidente da GM do Brasil, José Carlos Pinheiro Neto.

Segundo Carlos Barba, diretor de Design da GM, a escolha da subsidiária brasileira como pólo exportador de engenharia, a coloca em posição de destaque como um dos cinco centros globais de desenvolvimento. "Trabalhamos de forma integrada com os outros centros e isso aumentou nosso papel na corporação e também responsabilidade", acrescentou.

"No passado, o centro de design brasileiro apenas fazia face-lift de modelos produzidos na Europa e Estados Unidos. Mas nos últimos anos, a GM do Brasil se tornou um dos quatro centros globais de desenvolvimento de produtos no mundo que trabalham de forma totalmente integrada", lembrou Barba.
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