Brasil vai sediar reunião sobre biocombustíveis

Fonte: IDER - 03/04/07

O Brasil sediará um fórum mundial de biocombustíveis em 2008. A iniciativa, anunciada na tarde de sábado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, faz parte da estratégia do país de formar um mercado global para o álcool combustível como maneira de se consolidar como líder no setor.

Além disso, missões de cientistas brasileiros visitarão uma unidade de pesquisa de ponta em energias renováveis do Departamento de Energia norte-americano no Estado do Colorado e uma missão conjunta dos departamentos de Energia e de Agricultura norte-americanos irá ao Brasil nos próximos dias.

Para frustração dos envolvidos no encontro entre Lula e o norte-americano George W. Bush, no entanto, as únicas ações concretas que resultaram da segunda reunião dos dois presidentes em menos de 30 dias -a anterior foi em São Paulo, no início de março- foi ofuscada pelo fracasso na evolução das negociações comerciais e pela ênfase dada em temas nos quais os dois líderes têm opiniões divergentes.

O brasileiro e o norte-americano se encontraram na tarde de sábado em Camp David, nas montanhas do Estado de Maryland, vizinho a Washington, para discutir em menos horas do que estiveram juntos em São Paulo uma ambiciosa agenda, que ia de assento permanente no Conselho de Segurança da ONU a um destravamento da Rodada Doha de liberalização do comércio mundial. Nenhum dos dois pontos andou -segundo as palavras do próprio presidente Lula, ele saía da reunião com "nada", apesar de considerá-la uma das "mais produtivas".

O que andou, o detalhamento do memorando bilateral, não mereceu muita atenção, mesmo com o anúncio dos países que serão os primeiros recipientes dos recursos do memorando, Haiti, República Dominicana, São Cristóvão e Névis e El Salvador.

Outros pontos da declaração conjunta soltada pelas chancelarias, como o tratado trilateral de ajuda legislativa a Guiné-Bissau, a ação para tentativa de erradicação da malária em partes da África, a criação de um fórum de CEOs de empresas brasileiras e americanas e um acordo de trocas de informação que pode ser a base para um tratado de tributação, já haviam sido anunciados durante a semana.

Tensão
Parte do problema foi o foco em pontos de tensão tanto na fala de Lula (um discurso escrito entremeado por improvisos que duraria mais de 20 minutos, ante os cerca de 4 minutos da fala de Bush) quanto na entrevista coletiva que se seguiu, no hangar preparado para esses eventos no retiro presidencial dos Estados Unidos.

O brasileiro gastou boa parte do tempo para defender uma postura mais agressiva em relação ao meio ambiente, assunto que é o calcanhar-de-aquiles da administração do republicano e bandeira de um de seus principais opositores, o ex-vice-presidente democrata Al Gore, a quem derrotou nas eleições presidenciais de 2000.

Instado pela imprensa doméstica, o norte-americano passaria boa parte de seu tempo defendendo seu secretário de Justiça, alvo de acusações, ou comentando a situação dos militares britânicos capturados pelo Irã. Que, aliás, seria outro ponto de tensão no encontro entre os dois líderes, pela defesa de Lula da permanência da Petrobras no país, que é qualificado de integrante do "eixo do mal" por Bush. "No final, o que houve foi muito simbolismo e pouca ação", afirmou à Folha um diplomata, que prefere não ter seu nome publicado.



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