Indústria de veículos volta a concentrar projetos em SP


Uma década depois da última onda de investimentos da indústria automotiva, que foi ditada em muito pela guerra fiscal entre os Estados e ajudou o Brasil a descentralizar a produção industrial, um novo ciclo de projetos do setor volta a dar preferência a São Paulo.

A retomada dos investimentos no Estado ganhou ontem, dia 15, oficialmente a adesão da Toyota. Para fornecedores de peças e empresas transportadoras, que sofrem para atender um modelo de produção que só funciona se não houver falhas, a tendência é considerada positiva, na medida em que facilita a logística entre clientes e fornecedores.

Quando decidiram erguer novas fábricas no Brasil, em meados da década de 90, todos os fabricantes de veículos cederam aos incentivos fiscais oferecidos pelos governos estaduais. Hoje, com orçamentos mais apertados, os governos estaduais perderam a capacidade de atrair os novos projetos surgidos em razão da demanda do mercado doméstico. Sem a guerra fiscal, os atributos de São Paulo despontam naturalmente: o Estado concentra a maior parte dos compradores de automóveis, a grande massa de fabricantes de autopeças e mão-de-obra qualificada. E as relações com os sindicatos dos metalúrgicos estão muito mais cordiais.

A nova fase de namoro da indústria automobilística com São Paulo começou com a Volkswagen, que investiu na fábrica de São Bernardo após uma barulhenta reestruturação que quase decretou o fechamento da unidade. Depois foi a vez da Ford, que inaugurou uma fábrica moderna na Bahia em 2001, mas no ano passado optou por ampliar as instalações de uma velha fábrica em São Bernardo.

No início deste mês, a General Motors, que também ergueu uma fábrica no Rio Grande do Sul, em 2000, anunciou investimentos em São José dos Campos, no interior paulista. Ao saber ontem da escolha da Toyota pela cidade de Sorocaba para construir uma grande fábrica em 2011, o presidente da GM do Brasil, Jaime Ardila, disse: "Não sei quais as razões levaram a Toyota a escolher São Paulo, mas é claro para mim que as vantagens logísticas são significativas".
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