Brasil pode participar da industrialização da Venezuela


O governo da Venezuela está pondo em marcha um projeto ambicioso de industrialização que visa dar ao país maior autonomia e domínio tecnológico em vários setores. Para diminuir a dependência externa, o presidente Hugo Chávez pretende construir 200 fábricas estatais, das quais 61 serão voltadas especificamente para processamento de alimentos e as restantes, para as áreas de máquinas e equipamentos, vestuário, saúde, transporte, eletro-eletrônica, entre outras, totalizando investimentos estimados da ordem de US$ 3 bilhões.

O Brasil foi um dos 12 países convidados para participar desse plano grandioso e a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) foi eleita como parceira pelo governo venezuelano, tendo a incumbência de pesquisar, selecionar e recrutar as indústrias de bens de capital nacionais com capacidade e interesse para fornecer o maquinário para as plantas fabris.

Mário Mugnaini, diretor de Mercado Externo da Abimaq, explica que a entidade está trabalhando há meses nesse escopo, desde quando foi assinado o programa de cooperação industrial entre os governos do Brasil e da Venezuela. “Desde março deste ano até agora já realizamos quatro reuniões – três delas no Brasil e uma na Venezuela – reunindo os representantes da delegação venezuelana e os industriais nacionais, o que abriu ótimas perspectivas para a concretização de exportações de maquinaria brasileira”, adianta o executivo.

Inicialmente a cooperação brasileira será para a construção de 73 fábricas, sendo que já foram definidos sete tipos de projetos para 11 unidades produtivas voltadas para fabricação de equipamentos para processamento de alimentos, e embalagens de metal. Em uma segunda fase, equipamentos para refrigeração industrial, tubos de PVC e siderúrgicas de pequeno porte.

Estimativas iniciais prevêem que os investimentos para as fábricas que contarão com a participação brasileira somam cerca de US$ 200 milhões. “A Abimaq está coordenando as negociações entre as empresas associadas e o governo venezuelano e existe grande possibilidade de vendas”, especula Mugnaini.

Participa do projeto a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, encarregada de fazer toda a articulação entre o setor privado brasileiro e o governo da Venezuela.
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