Marcopolo define produção da nova fábrica


A Marcopolo está prestes a concluir as negociações para montar mais uma fábrica no exterior e estender a rede de operações fora do Brasil para nove países. O anúncio do acordo para a implantação da unidade em parceria com um sócio local, com capacidade para cerca de 3 mil carrocerias de ônibus por ano, será feito nas próximas semanas, disse o diretor de relações com investidores da empresa, Carlos Zignani, durante comemoração do décimo aniversário de lançamento do miniônibus Volare.

O executivo não informou o local da nova unidade, mas enumerou quatro áreas de interesse. Uma delas é a costa centro-africana do Atlântico, em países como Nigéria e Angola, e outra é o Oriente Médio. Há ainda a China, mas lá a empresa inaugura em setembro uma fábrica para escapar da alta dos custos no Brasil e produzir componentes para as demais operações ao redor do mundo, que por enquanto é vista apenas como um possível "embrião" de uma montadora de carrocerias no futuro, disse Zignani. A unidade ficará em instalações alugadas de um fabricante chinês que tem licença para a produção de ônibus no país.

A quarta região é formada pelos Estados Unidos e pelo Canadá. Ambos atendem a dois dos três critérios considerados pela empresa (área territorial extensa e população alta), mas não ao terceiro indicador: não são países de renda per capita média para baixa, onde a expansão do transporte coletivo ocorre com maior intensidade. Assim como as operações mais recentes no exterior, na Rússia e na Índia, a nova unidade terá um índice de nacionalização de quase 100%.

Hoje a Marcopolo tem unidades em Portugal e na África do Sul, "joint-ventures" na Colômbia (com a Superbus), Rússia (com a Ruspromauto), Índia (com a Tata Motors) e México (com a Mercedes Benz) e uma participação societária na argentina Metalpar. Na Rússia são duas fábricas desde o fim de 2007, que somam uma capacidade instalada de 3 mil unidades por ano. Na Índia, já há uma fábrica capaz de produzir de 3 mil a 4 mil carrocerias por ano e outra, com capacidade para 25 mil unidades/ano, será inaugurada em setembro. Na Argentina a empresa tem ainda uma fábrica desativada desde 2001.

Segundo Zignani, as novas operações na Índia e na Rússia permitirão à Marcopolo dar um "novo salto" no processo de expansão no ano que vem, nas proporções verificadas em 2000/2001, quando a empresa chegou ao México, à Colômbia e à África do Sul e ainda comprou a Ciferal no Brasil. Só na unidade indiana, que será inaugurada em setembro para fabricar micro e miniônibus, a expectativa é produzir 9 mil unidades em 2009.

O mercado da Índia absorve 45 mil ônibus por ano, sendo que a Tata Motors fabrica 25 mil chassis e os entrega para pequenas empresas que se encarregam de montar as carrocerias. É esse filão que a Marcopolo, associada ao grupo indiano, pretende dominar em cinco anos, explicou o diretor. As unidades locais também foram planejadas para vender para outros países da Ásia e do Oriente Médio.

No ano passado, as exportações a partir do Brasil e as vendas das controladas no exterior responderam por 42,2% da receita consolidada líquida de R$ 2,1 bilhões da Marcopolo. Em 2008, quando a estimativa de receita chega a R$ 2,4 bilhões, a participação ainda deve ficar nesses patamares devido ao câmbio, mas no ano que vem ela deve superar 50%, disse Zignani. Para 2012, as projeções de faturamento na Índia e na Rússia somam quase US$ 600 milhões. Ainda que o montante tenha de ser dividido com sócios, ele sinaliza mais um salto de crescimento da empresa.
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