Escassez de máquinas e pessoal será maior em 2010


Logo após encerrar a parada técnica da unidade Olefinas I da Braskem, em Camaçari (BA), Manoel Carnaúba Cortez, vice-presidente e diretor industrial da empresa, começa a preparar a paralisação da Olefinas II, agendada para 2010. E o trabalho não deve ser fácil. O receio é de que o volume de pedidos da Petrobras, assim como ampliações nos setores siderúrgico e de mineração, reduzam a disponibilidade e inflacionem os custos com mão-de-obra e equipamentos necessários.

O início do planejamento para a parada técnica da Olefinas II está marcado para agosto. Mesmo com dois anos de antecedência, a paralisação da unidade, responsável pela produção de 650 mil toneladas de eteno por ano, de acordo com o executivo da Braskem, deverá competir com obras da Petrobras. "O maior problema será de mão-de-obra", prevê Carnaúba. Em relação aos equipamentos, a preocupação é menor. Mas casos de máquinas como os guindastes, escassos não só no Brasil, prometem dar dor de cabeça à equipe de manutenção.

Na Olefinas I, a parada técnica demandou mais de sete mil empregados temporários. Nas paralisações da Copesul, em Triunfo (RS), e na PQU, em Mauá (SP), foram contratados seis mil funcionários em cada uma.

E se nas paradas técnicas de 2008 houve dificuldade de mão-de-obra, a partir do ano que vem a situação será acentuada. Conforme o planejamento estratégico da Petrobras para os próximos quatro anos, a estatal estima que irá gerar 228 mil empregos diretos e quase 700 mil indiretos. Os investimentos na área de refino e produção previstos para o período são de US$ 65 bilhões. Na opinião de José Eduardo Lobato, presidente da Associação Brasileira de Manutenção (Abraman), o período de 2009 a 2012 certamente será mais difícil para as empresas que tiverem paradas agendadas.

"O mercado está absorvendo muita mão-de-obra com experiência, fazendo com que este perfil migre para obras espalhadas por todo o país", relata Lobato. O executivo, que também é diretor da área de manutenção da Petrobras, informa que depois dos setores de petróleo e petroquímico, as indústrias de papel e celulose, cimenteiras e siderúrgicas são as que mais exigem investimentos em manutenção.

Eurimilson Daniel, vice-presidente da Associação Brasileira de Tecnologia para Equipamentos e Manutenção (Sobratema), acredita que o fato de a maior parte dos fabricantes de máquinas pesadas ter colocado o terceiro turno em suas produções, aliado ao câmbio favorável às importações, minimiza a questão da baixa disponibilidade. "O tempo médio de entrega de alguns modelos já foi reduzido", acrescenta.

Nesse sentido, prestadores de serviços da Braskem em Camaçari também aceleram seus investimentos com o objetivo de atender as demandas previstas para os próximos anos. A ABB, por exemplo, está aplicando R$ 5 milhões na ampliação de sua sede no pólo petroquímico. A estimativa é de que a área de serviços da empresa no Brasil deverá crescer até 19% em 2008. Segundo Marco Caviola, gerente-geral de vendas de serviços da ABB, a dificuldade de mão-de-obra é maior no Norte e Centro-Oeste do país.

A SH, que atua no aluguel de andaimes, informa que investirá, até o fim do ano, R$ 16 milhões no aumento de estoques para manutenção industrial.



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