Honda elevará capacidade de produção em 20%

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Ao se tornar auto-suficiente na produção dos motores dos automóveis que fabrica no Brasil, a Honda se prepara agora para dar mais um salto na capacidade industrial. A partir de agosto, a montadora terá capacidade de produzir um adicional de 100 veículos por dia. Isso significa um acréscimo próximo de 20% na média de hoje, segundo o diretor da Honda Automóveis do Brasil, Horácio Natsumeda.

Quando começou a funcionar, em 1997, a fábrica, em Sumaré, interior de São Paulo, produzia 60 carros por dia. Desde outubro passado, a mesma fábrica opera com médias de 500 a 550 unidades.

Agora, a auto-suficiência na produção total do motor, considerado o coração do carro e até aqui feito com peças importadas do Japão, é que abrirá caminho para a filial brasileira dar passos mais largos para elevar a capacidade.

Esse aumento no ritmo da linha, de mais 100 veículos por dia, a partir de agosto, exigirá mudanças estruturais, recursos em novas máquinas e contratação de pessoal. Um novo prédio teve de ser erguido para abrigar o setor de solda, deslocado da área principal para dar lugar a novas máquinas. Natsumeda diz que será preciso eliminar gargalos com a compra de novas injetoras de plástico, por exemplo.

O número de contratações previstas apenas nessa nova fase de crescimento soma 400. Equivale ao número de empregados na data da inauguração. Hoje são 2,5 mil trabalhadores.

No entanto, mesmo com o aumento da capacidade, essa fábrica vai ficar no limite. Hoje, a produção de dois modelos - o sedã Civic e a minivan Fit - é feita em três turnos. O processo de manufatura prosseguirá com o revezamento de três turmas e ocupação total da estrutura de manufatura para os mesmos dois modelos de veículos.

Cresimento

Para conseguir elevar a sua participação de mercado, de 4,5% nas vendas de veículos hoje no Brasil, a montadora japonesa conta com uma nova fábrica, que está sendo construída na Argentina, com inauguração programada para o próximo ano. Dessa unidade sairá um novo veículo, cujas características ainda não foram reveladas.

Mas se decidir aumentar mais a produção no Brasil, a Honda não terá outra opção a não ser definir um novo programa de investimentos. Até agora, a empresa acumula US$ 542 milhões em recursos já aplicados na fábrica de automóveis brasileira.

O prédio construído especialmente para abrigar a linha de motores, inaugurado ontem (9), absorveu investimento de R$ 130 milhões e abriu 180 novos empregos.

A linha de motores também funcionará em três turnos para produzir 13,5 mil unidades por mês inicialmente e 16,5 mil na segunda fase, no próximo ano, quando passará a ser também a fornecedora dos motores para a nova fábrica na Argentina. "Precisávamos atingir uma produção mínima de 100 mil unidades por ano para justificar o investimento em todas as fases de produção de motores", explica Natsumeda.

Os executivos da Honda trabalham com muita precisão. O programa de produção em Sumaré para este ano indica exatos 137.151 veículos, o que representará um acréscimo de 29,4% no volume do ano passado. Esse total inclui exportações para a América do Sul e México.

Incluindo os modelos importados, as venda da marca no Brasil este ano vão experimentar um crescimento de 48,93%, num total de 127.710 veículos se as projeções da montadora se concretizarem até dezembro.

Os cálculos de crescimento de vendas internas da montadora japonesa equivalem ao dobro do índice projetado para o mercado total pela Associação dos Fabricantes de Veículos, a Anfavea. Mas é justamente o fim da dependência da importação dos motores que leva à projeção mais otimista.

"Não preciso mais brigar pelos motores feitos no Japão com o resto do mundo", afirma o gerente comercial, Alberto Pescumo. O executivo comemora hoje a redução do tempo de espera na entrega dos carros da marca. Há alguns meses o cliente que fazia questão de ter um Civic chegava a esperar 60 dias ou até mais, dependendo do caso. Pescumo garante hoje a entrega para o mesmo mês do pedido.

A direção da Honda sabe que o aumento de oferta nas outras montadoras e a elevação das taxas de juros podem frear a empolgação do setor. Mas está disposta a brigar por uma fatia melhor. Já faz tempo que duas francesas - Peugeot e Renault - e as duas japonesas - Honda e Toyota - vêm disputando o quinto lugar no mercado brasileiro. Nenhuma chegou ainda aos 5%, o que representa a metade da participação da Ford, a quarta colocada.