Etanol atrai grandes negócios ao país


Sob ataque cerrado no mercado internacional, o etanol brasileiro dá sinais de ter chegado à maturidade. Dois grandes negócios na área da agroenergia foram anunciados quinta-feira. A BP, gigante britânica do petróleo, comprou metade de uma joint venture entre Santelisa Vale e Grupo Maeda para produzir etanol em Goiás. Juntas, vão investir R$ 1,66 bilhão em açúcar e álcool. A Cosan, gigante brasileira do etanol, adquiriu 100% dos ativos da Esso por US$ 826 milhões.

A oferta da Cosan pegou o mercado de surpresa. Várias empresas disputaram o negócio, mas os candidatos mais prováveis à compra eram a GP Investimentos e a Petrobrás, que levaria a Esso em parceria com a mineira AleSat.

Com a aquisição, a Cosan vai virar uma espécie de Petrobrás do álcool. Dominará toda a cadeia do combustível - da produção à distribuição. Trata-se da primeira produtora de etanol do mundo a deter esse sistema totalmente integrado. Além da rede de 1.500 postos, o pacote inclui também a fábrica de lubrificantes da Exxon Mobil.

A explosão das vendas de carros e do consumo de etanol no Brasil - que em fevereiro superou o de gasolina pela primeira vez em anos - foi o principal estímulo para a Cosan estrear no segmento. ''O preço do petróleo em níveis elevados e a crescente atenção a questões ambientais também contribuíram para nossa decisão'', diz o diretor de relações com o investidor da Cosan, Paulo Diniz. ''O momento é considerado ímpar. A Esso era uma oportunidade única de explorar o setor, que tem poucas alternativas de entrada.''

O setor de distribuição é extremamente concentrado no Brasil. Cerca de 80% está nas mãos de alguns poucos grupos, liderados pela Petrobrás, dona da rede de postos BR. Até o ano passado, a Esso era a quinta maior. Tinha 7,2% do mercado, de acordo com o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom). Embora o mercado tenha crescido quase 10% no ano passado, a Esso não acompanhou o ritmo dos concorrentes. A receita líquida caiu 0,9%, para R$ 9,2 bilhões.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, acredita que a venda da Esso para a Cosan deverá beneficiar a concorrência e o consumidor. ''Nada contra os estrangeiros, mas fico satisfeito com a presença de uma empresa brasileira numa operação desse porte.''

Os executivos não revelaram o plano de investimentos em expansão da rede, mas disseram que querem recuperar a participação histórica de mercado da Esso. Eles afirmaram que a Cosan não vai disputar os ativos da Esso na América Latina e que a compra não inviabiliza investimentos programados para a produção de etanol.



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