Siemens reforça “ecletismo” da fábrica da Cidade Industrial


A fábrica da Siemens em Curitiba terá metade de sua capacidade produtiva destinada a outras áreas, além da produção de equipamentos de comunicação corporativa, que é sua atividade principal. Entre essas atividades estarão a produção de notebooks e placas-mãe para computadores pessoais, além da produção de circuitos para a indústria automobilística – cujo anúncio deve ser feito em fins de maio. A idéia de tornar a planta capaz de operar simultaneamente com diversas linhas é conhecida internamente como “fábrica-zebra”, e tem como objetivo aproveitar a capacidade disponível para diluir os custos em cada um dos setores.

A empresa apresentou ontem uma nova linha de terminais telefônicos IP, que funcionam com a tecnologia de transmissão de voz pela internet. A linha de produção tem capacidade para montar até 150 mil aparelhos por ano, consumiu investimentos de US$ 5 milhões e implicou a contratação de 100 pessoas. A produção será toda destinada ao mercado latino-americano. O restante do globo será atendido por fábricas na Alemanha – ao menos por enquanto.

“Se houver uma mudança de conjuntura e for mais vantajoso exportar a partir do Brasil, estamos aptos a assumir a fabricação e distribuição desses terminais para a América do Norte e a África, por exemplo”, diz Baldoíno Sens, diretor da fábrica de Curitiba.

Fechamento


A unidade paranaense faz parte da Siemens Enterprise Communications, subsidiária que atua na área de comunicações corporativas. Em fevereiro, o grupo alemão anunciou uma reestruturação que inclui a venda dessa empresa. À época, as agências internacionais de notícias informavam que a fábrica de Curitiba poderia ser fechada, hipótese que foi descartada pela companhia na seqüência.

Os executivos negam que a abertura do leque de produtos seja uma estratégia para “salvar” a unidade. “Não houve nenhuma mudança de planos. Nunca deixamos de planejar, nunca deixamos de investir”, diz Armando Alvarenga de Souza, presidente da operação brasileira.

Na Cidade Industrial de Curitiba, a empresa fabrica equipamentos para outras unidades de negócios da própria Siemens. É responsável por 60% da produção de PABX da empresa. Fornece ainda estações rádio-base para a Nokia-Siemens, joint-venture formada em 2007 pela área de redes da Siemens com a gigante finlandesa de telecomunicações, que é administrada pela Nokia.

Zebra

Características como essa reforçam o conceito da fábrica-zebra. “A nossa atividade principal continuará sendo a dos equipamentos para comunicação corporativa”, diz Sens, “mas ela vai responder por aproximadamente metade da nossa produção.”

O restante virá de outros usos – como os notebooks, que não fazem parte do portfólio de nenhuma das unidades de negócio da Siemens. “A fábrica de Curitiba tem excelência na produção de qualquer equipamento eletrônico”, afirma Humberto Cagno, presidente da Siemens Enterprise Communications para a América Latina.

Ecletismo

Embora computadores portáteis sejam novidade na planta, o histórico da unidade apresenta um perfil eclético. Dela já saíram, por exemplo, caixas eletrônicos para bancos e centrais telefônicas à prova de abalos sísmicos, que equipam três usinas nucleares alemãs.

Dentro dessa filosofia, os executivos alertam que não deve ser surpresa para ninguém se a empresa vier a público com produtos diferentes de tudo o que já saiu da unidade da CIC. “Tomógrafos, conversores de tevê digital, equipamentos para a indústria automotiva não são impossibilidades”, afirma Sens.



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