ArcelorMittal Inox investe para crescer na região Sul


A ArcelorMittal Inox Brasil vai investir R$ 40 milhões em dois anos para montar um novo centro de serviços e distribuição em Caxias do Sul, na serra gaúcha.

Segundo a direção da empresa, a decisão tem duas grandes motivações. Fincar bandeira no Rio Grande do Sul, segundo maior consumidor de aço inox no país, atrás apenas de São Paulo, e ao mesmo tempo não deixar espaço para a concorrente espanhola Acerinox, que exporta de uma usina da África do Sul a preços competitivos para o Brasil e países do Cone Sul.

"O mercado brasileiro é de 200 mil toneladas/ano. O Rio Grande do Sul consome 20%, cerca de 40 mil toneladas, o que é mais do que toda a Argentina", informou o diretor comercial da companhia, Sérgio Mendes, acrescentando que a ArcelorMittal detém cerca de 80% do mercado interno.

Segundo ele, a unidade de Caxias do Sul pode até exportar de forma complementar para atender tanto a Argentina e o Chile, países onde a concorrente espanhola também avança. Como parte da mesma estratégia, a ArcelorMittal Inox adquiriu um distribuidor na Argentina no final do ano passado.

A unidade terá serviços de aparo de bordas em bobinas, cortes em tiras, chapas e blanks em aços inoxidáveis, elétricos e carbono para utilização na indústria de bens de capital, eletroeletrônica, cutelaria, tubos e construção civil. Segundo estimativas da empresa, o consumo de aço inox no Brasil vem crescendo a uma taxa de 7% ao ano.

O presidente da empresa, Jean-Philippe Demaël, explica que a distribuição é um dos pilares do crescimento da companhia no país. As outras unidades estão localizadas em Campinas, na cidade de São Paulo e Timóteo, município mineiro onde se localiza a siderúrgica (ex- Acesita).

Segundo Demaël, o foco agora é consolidar os centros de serviço e distribuição já existentes e, em regiões com consumo menor, onde não vale a pena erguer uma estrutura própria, a idéia é trabalhar com distribuidores independentes - hoje já são 15 espalhados pelo Brasil.

Reajustes

A usina da ArcelorMittal tem capacidade instalada de 900 mil toneladas/ano de aço, sendo cerca de 600 mil de inox e 300 mil de aços elétricos - contando com uma ampliação de 100 mil toneladas que vai ser inaugurada em duas semanas.

Segundo Demaël, os novos reajustes no preço do minério de ferro vão pressionar os custos da empresa. Conforme ele, a empresa utiliza 50% de minério de ferro e 50% de sucata na produção de aço inox.

"Para nós o aumento do minério de ferro vai ser um desafio. Vai impactar", admite Demaël, que ano passado já enfrentou a disparada dos preços níquel, matéria-prima para aços elétricos.

O minério chegou a ter o preço da tonelada avaliado em US$ 50 mil em maio do ano passado devido a movimentos especulativo, segundo a empresa, mas este ano a cotação se estabilizou em torno de US$ 28 mil. A ArcelorMittal vende 100% dos aços elétricos que produz no mercado interno. Já no caso do aço inox, a exportação do produto chega a 50%.

Outro projeto da ArcelorMittal que deve ser decidido nos próximos dias é a troca do combustível do alto-forno 2 de coque para carvão vegetal, o que permitirá a redução de custos e a retenção de até 500 mil toneladas de CO2 por ano.

Todo o projeto, incluindo a parte industrial e formação de florestas, receberá um investimento de aproximadamente R$ 90 milhões. "Até 2009 todo o nosso combustível será carvão vegetal", disse Demaël.



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