Aumentos nos preços do aço e ferro já preocupam fabricantes


A demanda mundial puxa o aumento no preço do minérios de ferro. A Companhia Vale do Rio Doce elevou de 65% a 71% preço de produtos, o que leva naturalmente impactos a várias indústrias, principalmente a automobilística.

Rafael Wolf Campos, presidente da Anfir (Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários), disse que o aumento no preço de alguns insumos poderá ser repassado ao mercado. Segundo Campos, no início deste ano, o preço do aço subiu cerca de 12%. Em todo o ano de 2007, o aumento da commodity não chegou a 5%.

"O aumento da matéria- prima é uma questão que nos preocupa muito, principalmente o aço que representa cerca de 60% de nossos insumos", afirmou Costa. Outro fator que impacta na indústria de implementos é questão da infra-estrutura rodoviária. "Com as estradas ruins temos que produzir um equipamento mais resistente; isso implica consumir mais insumos".

A Toyota Motor Corp., a Honda Motor Co., a Nissan Motor Co. e outras montadoras japonesas deverão desembolsar um total de 200 bilhões de ienes (US$ 1,85 bilhão) a mais pelo aço no próximo ano fiscal. A informação foi divulgada ontem pela empresa JFE Holdings Inc., sediada em Tóquio, em comunicado divulgado por fax.

As três maiores empresas siderúrgica da Ásia aceitaram um aumento de 65% para os preços do minério de ferro fornecido pela Companhia Vale do Rio Doce.

Sem repasse

A alta da demanda por automóveis e embarcações por parte da China e da Índia está puxando para cima os preços do aço. As montadoras japonesas dependem do produto fornecido pela Nippon Steel Corp. e pela JFE Holdings para atender às suas necessidades de metal de alta qualidade, e não conseguem repassar a alta dos custos aos consumidores devido ao acirramento da concorrência.

"O aumento dos preços representará um grande golpe para as montadoras japonesas", disse Koji Endo, analista-sênior do Credit Suisse Group de Tóquio. "Os lucros das montadoras serão comprimidos, pelo menos no curto prazo."

A Nippon Steel, a segunda maior siderúrgica do mundo, está tentando aumentar os preços previstos pelos contratos de fornecimento para o mercado interno em 20.000 ienes (US$ 185) por tonelada para chapas e placas de aço para o ano de comercialização que tem início a 1º de abril, disseram no último dia 12 fevereiro altos funcionários da empresa que pediram para não ter seus nomes divulgados. Os preços variaram este ano entre cerca de 50.000 ienes e 75.000 ienes, disseram eles.

Baixando os custos

"As condições do mercado não permitirão que aumentemos os preços", disse Katsuaki Watanabe, principal executivo da Toyota, em entrevista à imprensa concedida em Tóquio." ``Pretendemos baixar os custos devido à alta dos preços das matérias-primas."

Um aumento de 20.000 de ienes dos preços das chapas de aço comprimiria os lucros operacionais da Toyota em 100 bilhões de ienes, disse Seiji Sugiura, analista-sênior do setor automobilístico da HSBC Securities Ltd. de Tóquio. Endo, do Credit Suisse, disse que uma elevação dessa ordem subtrairia 80 bilhões de ienes do lucro operacional da montadora.

Os estaleiros japoneses, como o Mitsubishi Heavy Industries Ltd. e a Mitsui Engineering & Shipbuilding Co., também terão de arcar com custos mais elevados do aço, disse Yuichi Ishida, analista da Mizuho Investors Securities Co, de Tóquio. Apesar disso, a alta dos preços das embarcações deverá neutralizar o aumento dos custos das matérias-primas, disse ele.

Análise de mercado

Impulsionadas por um mercado crescente, as montadoras instaladas no Brasil analisam qual impacto o reajuste de minerais, como o aço e o ferro, terá sobre os produtos. Por enquanto o momento é de expectativa, mas avaliam que algum reajuste poderá causar no preço dos automóveis.



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