Pequenos empresários navegam pela internet em busca de capacitação

Portal do Sebrae em São Paulo registrou 9,5 milhões de downloads baixados em 2007

Navegar é preciso, disse uma vez Fernando Pessoa. Em tempos de internet, a frase do poeta português nunca foi tão adequada. Hoje milhões de pessoas navegam pelo mundo digital a procura de informação.

Na educação, a internet está explodindo. E não são apenas crianças e jovens atrás de informações escolares que povoam a rede mundial de computadores. Quem quer abrir um negócio, tem um pequeno negócio ou mesmo um empreendedor informal já descobriu que pode se capacitar via rede mundial de computadores.

Somente o portal do Sebrae em São Paulo fechou o ano de 2007 com 9,5 milhões de documentos de gestão baixados (download) pelos internautas, crescimento de 50% em relação a 2006. O número de visitantes únicos cresceu mais ainda, 57%, chegando a 4,9 milhões de usuários.

Em dezembro passado, o portal registrou 567 mil downloads, dos quais 319 mil (cerca de 56%) se referem à série 'Comece Certo', que aborda questões relevantes para quem decidiu abrir seu próprio negócio. Cada exemplar apresenta uma atividade. Dos dez títulos com maior número de downloads no portal do Sebrae/SP, seis estavam relacionados a serviços: salão de beleza, lan house, bar e lanchonete, cafeteria, pizzaria e academia de ginástica.

Serviços é um setor com potencial de expansão elevado devido a suas características. Trata-se de um setor bastante heterogêneo. De um lado, o setor engloba atividades que atendem o consumidor final, satisfazendo um grande leque de demandas, como bares e lanchonetes, lan houses e academias de ginástica. Outras atividades de serviços têm predominantemente como clientes outras empresas, como é o caso dos diversos tipos de consultorias (por exemplo, contábil e jurídica).

Para o gerente da Unidade de Gestão do Conhecimento do Sebrae/SP, Manfredo Paes, os negócios mais procurados são exatamente os que dispensam alta tecnologia para serem abertos. “São negócios que também não precisam de grande infra-estrutura. Basta respeitarem um plano de negócios básico”.

Segundo ele, os dados revelam também que o empresário de pequenos negócios vem se modernizando. “O número de downloads mostra que quem já tem um negócio também tem um computador e está aprendendo a se capacitar on-line”.

Outro dado interessante é que o maior número de acessos é feito geralmente à noite ou antes do início do expediente. “Isso mostra que as pessoas estão usando o tempo livre para adquirirem conhecimento”. Há entre os interessados endereços de fora do País.

“Podem ser brasileiros que morem no exterior e queiram abrir um negócio no Brasil, como é o caso dos dekasseguis”. Por meio de enquete no portal, a Unidade de Gestão do Conhecimento conseguiu detectar que entre 20% e 25% dos acessos é feito por pessoas que querem abrir o próprio negócio no futuro; 40% já são empresários e o restante são aposentados, empresários por conta própria, entre outros. Os dados mostram que atuação do Sebrae deve ser forte no segmento de serviços, já que 44% das pessoas que acessam o portal têm interesse nesta área

“Essas informações acabando refletindo nas ações cotidianas do Sebrae. Com os dados na mão, a instituição acaba formatando novos cursos e produtos para atender à demanda.”. Em 2007, o site recebeu 4 milhões de visitantes únicos e 26 milhões de pageviews. Em média, o visitante permanece nove minutos navegando pelo portal. Criado em 2004, o site possui atualmente mais de 25 mil páginas de conteúdo.

Cursos on-line

Um dado interessante foi divulgado no final do ano passado em Brasília. Segundo o Censo da Educação Superior de 2006, de 2003 a 2006, o número de cursos de educação a distância passou de 52 para 349, o que significa aumento de 571%.

O crescimento do número de estudantes em cursos de educação a distância também superou expectativas. Eles passaram de 49 mil em 2003 para 207 mil em 2006, aumento que corresponde a 315%.

O secretário de educação a distância, Carlos Bielschowsky, atribui o crescimento da credibilidade desse método de ensino ao incremento da tecnologia nos últimos quatro anos e à criação da Universidade Aberta do Brasil (UAB). “O Exame Nacional de Avaliação de Desempenho de Estudantes demonstrou que os alunos de cursos a distância vão tão bem quanto os de cursos presenciais. Aliás, em alguns cursos, eles tiveram desempenho melhor”, diz Bielschowsky.

Para a professora doutora Regina Mello Silva, do Departamento de Engenharia da Computação e Sistema Digitais da Universidade de São Paulo e especialista em redes de computadores, apesar de o acesso à internet ainda ser muito caro, a expectativa é que nos próximos anos estes custos caiam e que a população mais carente tenha acesso.

“Os cursos on-line, principalmente para os profissionais já formados, beneficiam as pessoas que estão fora dos grandes centros. Esses cursos não são para todos porque requerem muita disciplina, organização e comprometimento”.

A professora também adverte os empresários a acessarem portais e sites de instituições reconhecidas em suas áreas, como é o caso do Sebrae. “Sabemos que os cursos presenciais do Sebrae são muito bem conceituados. Assim como de outras entidades como Senac e Sesi”.

É importante também, segundo ela, certificar-se se a entidade está habilitada a dar um certificado, se tem registro no Ministério da Educação etc. “Quando é preciso ter um certificado, o aluno deve estar atento à qualidade do certificado”.



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