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Venda de máquinas e equipamentos cai 15,5% em agosto

Setor de bens de capital enfrenta retração nas vendas domésticas, enquanto importações avançam e participação de máquinas estrangeiras no consumo brasileiro chega a 47,6%

A indústria brasileira de máquinas e equipamentos mantém trajetória de retração em 2026, pressionada principalmente pelo custo elevado do crédito e pelo avanço das importações. De janeiro a agosto, a receita líquida de vendas do setor recuou 13,2% em relação ao mesmo período de 2025, totalizando R$ 177,6 bilhões. No mês, a receita líquida de vendas alcançou R$ 23 bilhões, queda de 6,2% em relação a julho e de 15,5% na comparação com agosto do ano passado.

O desempenho do mercado interno foi ainda mais negativo. A receita líquida interna somou R$ 16,8 bilhões em agosto, retração de 9,7% frente ao mês anterior e de 16,4% em relação a agosto de 2025. No acumulado dos oito primeiros meses do ano, a queda chegou a 15,5%.

Os dados fazem parte da pesquisa de Indicadores Conjunturais da indústria de máquinas e equipamentos referente a agosto de 2026, divulgada pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Juros elevados reduzem investimentos

O resultado ocorre em um cenário de menor demanda por investimentos produtivos. As taxas de juros reais elevadas encarecem o financiamento para aquisição de bens de capital, expansão da capacidade produtiva e capital de giro das empresas.

O efeito da política monetária sobre o setor também ocorre com defasagem, uma vez que decisões de investimento dependem das condições de crédito e das expectativas das empresas. Com custos financeiros maiores, novos projetos industriais tendem a ser adiados ou redimensionados.

Exportações crescem, mas importações avançam em ritmo maior

O mercado externo apresenta desempenho mais positivo no acumulado do ano. As exportações de máquinas e equipamentos somaram US$ 8,81 bilhões entre janeiro e agosto, alta de 6,2% sobre o mesmo período de 2025.


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Em agosto, as vendas externas alcançaram US$ 1,18 bilhão, crescimento de 4,6% em relação a julho, mas queda de 6,3% na comparação com agosto do ano anterior.

As importações, por outro lado, registraram crescimento mais expressivo. Em agosto, as compras externas chegaram a US$ 2,98 bilhões, alta de 1,1% sobre julho e de 16,7% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado de janeiro a agosto, as importações somaram US$ 22,20 bilhões, aumento de 5,2%.

Com isso, o setor acumulou déficit comercial de US$ 13,39 bilhões nos oito primeiros meses de 2026, uma ampliação de 4,6% em relação ao mesmo período de 2025. Apenas em agosto, o déficit foi de US$ 1,80 bilhão.

Máquinas importadas ampliam participação no mercado brasileiro

A combinação entre a retração das vendas domésticas e o crescimento das compras externas elevou a participação de máquinas importadas no consumo aparente brasileiro.

Entre janeiro e agosto de 2026, os equipamentos importados responderam por 47,6% do consumo aparente de máquinas e equipamentos no país. No mesmo período de 2025, a participação era de 45,3%. Com isso, a participação da indústria nacional caiu para 52,4%.

Os números indicam uma maior presença de produtos estrangeiros no mercado brasileiro em um momento de redução da demanda interna e de dificuldades para os fabricantes nacionais.

China amplia participação nas importações

A China foi responsável por uma parcela crescente das importações brasileiras de máquinas e equipamentos. Entre janeiro e agosto, as compras de produtos chineses chegaram a US$ 8 bilhões, aumento de 18,8% em relação ao mesmo período de 2025. Com esse resultado, a China respondeu por 36% de todas as importações brasileiras do setor no período.

Os Estados Unidos aparecem na sequência, com US$ 3,24 bilhões em vendas ao Brasil, o equivalente a 14,6% do total. O valor representa uma queda de 2,7% em relação ao acumulado de janeiro a agosto de 2025. A Alemanha foi responsável por US$ 2,57 bilhões, com participação de 11,6% e crescimento de 1% no período.

Setor reduz postos de trabalho

O enfraquecimento do mercado também aparece nos indicadores de emprego. O número de trabalhadores ocupados na indústria de máquinas e equipamentos caiu para 403.294 pessoas no final de agosto.

O resultado representa uma redução de 2,6% em relação a julho e de 5,6% na comparação com agosto de 2025. Apesar disso, a média do pessoal ocupado no acumulado do ano apresenta variação negativa de 0,3%.

A utilização da capacidade instalada apresentou movimento diferente. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) passou de 78,9% em julho para 79,6% em agosto. A média registrada no ano é de 78,6%.

A carteira de pedidos também apresentou melhora no mês. O prazo médio para atendimento passou de 9,6 semanas em julho para 10,1 semanas em agosto, alta de 5,5%. A média de 2026 está em 9,3 semanas.

*Imagem de capa: Depositphotos.com