Logogrupocimm-fundoescuro
Exclusiva

SKA Connect 2026 foca em desafios reais da transformação digital na indústria

Evento deixou evidente que a transformação digital não começa pela tecnologia, mas pela identificação clara dos problemas

O SKA Connect 2026, que aconteceu em paralelo ao primeiro dia da FEIMEC, reuniu empresas industriais nesta terça-feira, dia 5, em São Paulo, para discutir, de forma prática, os desafios reais da transformação digital e, principalmente, como superá-los. Em comum, os cases apresentados mostraram que a jornada passa por três pontos críticos: identificar as dores, estruturar dados e integrar pessoas aos processos.

Entre os principais desafios destacados está a dificuldade de avançar na digitalização: 91% das empresas ainda enfrentam barreiras nesse processo. Na prática, elas aparecem na forma de operações complexas, falta de visibilidade dos dados e dificuldade de priorizar problemas.

Na Stara, por exemplo, o desafio está na gestão de uma operação altamente verticalizada e impactada por variáveis externas, como clima, juros e commodities. Com mais de 2 milhões de componentes produzidos por mês e milhares de toneladas de matéria-prima processadas, a empresa precisa transformar volume em inteligência para tomar decisões mais assertivas.

“30% do nosso faturamento vem de produtos lançados nos últimos três anos. Isso é positivo para o negócio, mas se torna um desafio para a manufatura, que precisa conciliar essas demandas”, destacou Fábio Luis Vargas, gerente sênior de manufatura da Stara. 

Confira aqui o que Luiz Gonçalves, Head de Negócios da SKA e host do evento, contou sobre esta edição do SKA Connect.

Identificar o problema certo: o novo diferencial

Na Progás e Braesi, a digitalização permitiu mudar a forma de gestão da operação. “A gente saiu do achismo para o que a gente realmente sabe. O MES trouxe informações corretas e tratadas, permitindo entender como a fábrica funciona e tomar ações mais assertivas”, afirmou Evandro Zahn Stedile, coordenador de TI.


Continua depois da publicidade


A empresa identificou, por exemplo, o impacto do calor nas paradas dos operadores. A partir dos dados, adotou ventilação industrial, reduzindo em 20% o tempo de paradas pessoais e aumentando a produtividade.

Na Tomasoni, o desafio inicial foi entender quais eram, de fato, os problemas da operação“Toda empresa tem problemas, mas a questão é: quais são realmente os problemas? Não dá para resolver tudo ao mesmo tempo, então avaliamos esforço versus resultado esperado”, explicou Nicolas Brugnolo, gerente de operações industriais.

Com a integração entre engenharia, ERP e MES, os dados passaram a ser utilizados para retroalimentar o processo produtivo. O resultado foi uma redução média de cerca de 30% nos custos de produto.

Na Xmobots, a adoção de simulação e manufatura aditiva reduziu drasticamente o tempo de prototipagem. “Semelhante à F1, cada grama importa”, afirmou Gabriel Porto, diretor de produtos. Processos que levavam até 45 dias passaram a ser realizados em um dia, ele contou.

Já na Rossetti, a transformação começou pela engenharia e evoluiu com a mudança cultural. “Tivemos um esforço muito alto no início. Em 2022, ultrapassamos o ponto de equilíbrio e os benefícios passaram a crescer enquanto o esforço diminuía”, explicou Ronaldo Toledo, gerente de TI.

Agora, a empresa contabiliza resultados expressivos: 39,1% de redução de interrupções; 90% de disponibilidade; e 54% de redução de absenteísmo.  

Encerramento

SKA Connect 2026 deixou evidente que a transformação digital não começa pela tecnologia, mas pela identificação clara dos problemas. Empresas que estruturam dados, integram sistemas e envolvem pessoas conseguem reduzir custos, aumentar produtividade e acelerar o desenvolvimento.

Neste sentido, para fechar o evento o convidado da tarde foi, a pedido da comunidade SKA, Arthur Igreja, que falou sobre a IA e sua aplicação na indústria.

"Vivemos um crescimento exponencial dos dados. Aquilo que antes tínhamos em CRMs e ERPs, a IA agora nos permite ampliar, oferecendo uma visão muito mais completa do todo. Por meio de uma espécie de hiperconsultoria baseada em dados bem estruturados e em um banco de dados robusto, conseguimos elevar o nível da engenharia, da manufatura e áreas afins. Estamos prestes a entrar de vez no mundo dos agentes de IA e acelerar ainda mais os processos", disse o palestrante. "Testar e explorar é fundamental para adquirir conhecimento, mas há um problema gravíssimo relacionado ao vazamento de dados. A IA é fantástica, desde que utilizada com governança, controle e dentro do contexto adequado".