O segredo do sucesso das empresas mais produtivas

* O segredo do sucesso de qualquer empreendimento está na coesão coletiva. Empresas que operam com um aglomerado disforme de funcionários têm chances quase nulas de crescimento.

Isto porque é a harmonia entre os diversos departamentos que permite o comprometimento do negócio diante das oscilações do mercado. Líderes que não norteiam suas ações com base nesta premissa correm o risco de legar às suas corporações um futuro pouco alvissareiro.

Companhias que privilegiam o foco no desenvolvimento humano têm mais chances de se firmar no longo prazo. Sempre que um profissional pede a minha opinião a respeito das perspectivas profissionais de sua empresa, peço a ele que olhe ao seu redor. Se fizer parte de uma equipe na qual são cultivadas boas relações interpessoais, em que as partes do trabalho formam engrenagens bem azeitadas dentro da cadeia produtiva, as chances do empreendimento obter sucesso são enormes.

Mas se, por outro lado, este profissional estiver cercado por pessoas desmotivadas e com reduzida qualificação, a possibilidade de fracasso cresce exponencialmente.

Por isso, as empresas que não desejam sucumbir diante da concorrência devem apostar em qualificação da mão-de-obra em todos os níveis. Torna-se vital, portanto, que os gestores utilizem o máximo de seu potencial, o que só é conquistado por meio de aprimoramento profissional.

É importante que o quadro de colaboradores seja freqüentemente submetido a cursos de reciclagem. Em contextos de alta competitividade, aqueles que não investirem em atualização correm o risco de ficar defasados. Os funcionários competentes devem ser valorizados de todas as formas. Afinal, o resultado final do trabalho é sempre fruto de um esforço coletivo, não individual.

O Brasil é um dos países que menos investem em educação. E ela é um tema de fundamental importância para o desenvolvimento de uma nação.

Por isso, países emergentes como a China apostaram em uma reformulação universitária para contar com massa crítica e mão-de-obra qualificada a fim de se tornarem mais competitivos no cenário internacional. E este, sem dúvida, é o exemplo que o Brasil deve seguir para aumentar a sua produtividade e alavancar a economia nacional.

Em pesquisa sobre produtividade, realizada pela Proudfoot Consulting em 10 países (Alemanha, Austrália, Áustria, Brasil, Canadá, Estados Unidos, Espanha, França, Portugal e Reino Unido), com 462 executivos, os entrevistados foram instados a responder à seguinte questão: Quais fatores terão maior impacto em sua empresa nos próximos dois anos?

Logo após a primeira opção escolhida, a competição dos mercados emergentes, com 26%, aparecem preocupações relacionadas ao gerenciamento de pessoas. Cerca de 16% optaram por educação e treinamento dos funcionários da empresa e 13%, por falta de mão obra qualificada e habilitada entrando no mercado de trabalho. Estes problemas citados pelos entrevistados constituem graves entraves à produtividade.

No Brasil, a atual conjuntura não destoa dessa tendência mundial. Por aqui, a relação custo/benefício da mão-de-obra- geralmente mal qualificada- ainda é bastante onerosa para as empresas. Não é à toa que a produtividade no Brasil, na contramão dos índices globais, vem caindo a níveis inferiores aos verificados em 1980, segundo dados da OIT (Organização Internacional do Trabalho).

Para elevar a produtividade a níveis consideráveis, acreditamos que o foco de todo salto de qualidade, em qualquer ramo empresarial, deve estar nas pessoas, pois são elas o maior capital de uma empresa.

Não existe um caso sequer de empresas de sucesso que não tenham em seus quadros profissionais altamente qualificados. Deste modo, cria-se uma via de mão-dupla: funcionários produtivos formam empresas bem-sucedidas e vice-versa.

* Elzo Guarnieri é vice-presidente executivo da Proudfoot Consulting
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