Hyundai avalia instalação de mais uma fábrica no Brasil

O presidente da sul-coreana Hyundai no Brasil e do grupo Caoa, Carlos Alberto de Oliveira Andrade, disse que é grande a possibilidade de a montadora instalar uma segunda fábrica no País.

A nova unidade vai requerer investimento de US$ 1,2 bilhão e será projetada para ter 80 mil empregos, entre diretos e indiretos. A empresa, que inaugurou em abril uma indústria em Anápolis (GO), vai fechar 2007 com mais de 20 mil veículos vendidos (no ano passado foram 4 mil). O faturamento do grupo - que inclui a montadora e a rede concessionária Caoa - atingirá US$ 4 bilhões neste ano, montante 400% superior a 2006. Para 2008, a meta é dobrar as vendas.

"A decisão sobre a nova fábrica será tomada no próximo ano e, a partir daí, o início das obras será imediato", afirmou Oliveira Andrade. A montadora pretende fabricar na nova unidade um modelo específico para atender o gosto do cliente brasileiro, com motor 1.4 ou 1.6. O local está em estudo e a empresa já recebeu convite de todos os estados.

Andrade disse que será uma fábrica maior e mais completa do que a de Goiás, porque vai fabricar os motores (hoje importados) e terá uma área de estamparia. "O Brasil será a base de produção da Hyundai para a América Latina, mercado atualmente atendido pela Coréia", afirmou. Segundo o executivo, é mais interessante fabricar os veículos no Brasil do que importar, mesmo com o câmbio atual.

A Hyundai fabrica somente o caminhão HR no País. Os demais modelos comercializados no mercado brasileiro - o Tucson, o Santa Fé e o Vera Cruz - são importados. Em breve, a montadora vai lançar um sedã, o Azera, também importado. "Estamos nos preparando para fabricar tudo aqui", disse Andrade.

Para o executivo, o Brasil vai continuar crescendo com política e economia estáveis. O avanço das vendas da Hyundai até agora, de acordo com Andrade, foi motivado pelo aumento da percepção do que a montadora estava fazendo. "Tínhamos um produto maravilhoso, mas faltava imagem e uma pós-venda forte", disse. Segundo o presidente da montadora no País, a empresa pretende abrir mais 60 concessionárias em 2008. Hoje são 58. Se forem considerados os pontos-de-venda, o salto será de 98 para 150 no próximo ano.

Fábrica de Anápolis

A fábrica de Anápolis recebeu aporte inicial de R$ 600 milhões. Além do caminhão HR, deve fabricar também o Tucson (sport utility) e um terceiro modelo ainda em estudo. Dentro de três meses, 20 robôs vão fazer parte da linha de produção do HR e servirão depois para a montagem do Tucson. "Não há oferta de mão-de-obra qualificada por ser a primeira montadora a instalar-se na região", justificou Andrade. De acordo com o executivo, se a fábrica estivesse em São Paulo, esse problema não existiria.

O investimento total em Goiás será de R$ 1,2 bilhão e novos desembolsos serão realizados até meados de 2009, quando a Hyundai produzirá seu terceiro carro. A fabricação em Anápolis começou com 800 caminhões por mês e até março do ano que vem serão produzidos 1,2 mil mensalmente por conta da forte demanda. O custo médio do HR é de cerca de R$ 50 mil.

Andrade afirmou que o caminhão HR fabricado no Brasil tem mais qualidade do que o importado da Coréia. "A fábrica de Goiás possui os melhores equipamentos do mundo, é a mais moderna do País. Tem um sistema que trata todos os resíduos, purifica e reaproveita os gases e não polui o meio ambiente", disse o executivo.

Vendas de US$ 75 bi

No mundo, a Hyundai é a sexta maior montadora. Vai produzir 5 milhões de veículos até o final do ano, o que somará uma receita bruta de US$ 75 bilhões. Recentemente, inaugurou duas fábricas, uma nos Estados Unidos, com capacidade para produção de 250 mil veículos por ano, e uma na República Tcheca. Pretende fazer outra unidade em território norte-americano e uma Coréia do Sul.

Na Índia, a produção passará de 300 mil veículos para 600 mil ainda este ano. A montadora investe pesadamente em pesquisa e desenvolvimento. Andrade contou que, em 2000, o centro de pesquisa e qualidade tinha 2,5 mil engenheiros e 200 PhDs. "Hoje possui com 10 mil engenheiros e 2,5 mil PhDs.



Comentários