Iveco produzirá caminhonetas da indiana Tata em Minas

A Tata Motors, a mais importante montadora de veículos da Índia, produzirá 20 mil camionetas de cabine dupla na fábrica da Iveco em Sete Lagoas (MG), já no próximo ano, segundo informou na sexta-feira o cônsul da Índia em Belo Horizonte, Élson Barros.

Anteriormente, a produção do modelo estava prevista para ser realizada exclusivamente nas instalações da Fiat em Córdoba, na Argentina. O veículo é semelhante à Ranger, da Ford, e à S-10, da General Motors. Inicialmente, terá componentes vindos do país vizinho, sobretudo de áreas pintadas, já que este é um setor que no momento trabalha em três turnos e no limite da capacidade na unidade mineira de caminhões da Iveco, pertencente ao grupo Fiat.

Segundo o diplomata, a produção dos carros da Tata pela Fiat faz parte de um negócio mundial entre as montadoras italiana e indiana e é maior que um simples acordo de complementação de produção. De acordo com Élson Barros, o principal acionista da empresa indiana, Ratan Tata, integra o conselho de administração do grupo Fiat.

O diplomata lembrou que as negociações entre a Fiat e a Tata para a produção da camioneta são realizadas há mais tempo e que não há uma única semana em que ele não assina visto diplomático para a entrada de engenheiros brasileiros na Índia.

Muitos técnicos indianos também visitaram a unidade mineira da Iveco. Elson Barros, que é brasileiro, descendente de indiano e estudou naquele país, é cônsul honorário em Belo Horizonte e acompanha todas as autoridades e empresários indianos em visita a Minas Gerais, sempre a bordo de uma luxuosa limousine Jaguar, preta, uma marca inglesa que hoje pertence à Tata.

O diplomata revelou que participou de negociações com representantes da Stola, Aethra e da Sada Transportes, que são importantes fornecedores da Fiat Automóveis e terão participação no projeto de produção das camionetes. O modelo não é fabricado pela montadora italiana no Brasil e esse segmento equivale a pelo menos 15% do mercado das caminhonetes leves, derivadas de automóveis.

Na segunda-feira, o executivo Prabir Saha, um dos mais importantes da Tata Motors, estará em Belo Horizonte e será a principal estrela do II Conclave Índia, América Latina e Caribe, que se realizará na capital mineira.

A iniciativa é do consulado da Índia, país que ganhou muita importância no estado desde que o grupo indiano Mittal assumiu o controle da siderúrgica Belgo-Mineira (por meio da Arcelor) e pela parceria com a Fiat Automóveis, que tem fábrica em Betim, com a montadora indiana Tata.

O evento, que será realizado em instalações da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), tem a presença confirmada de mais de 50 empresários brasileiros e de cerca de 40 representantes de empresas indianas.

Todos os participantes serão recebidos em almoço inaugural do restaurante de comida indiana que funcionará no prédio do consulado da Índia e foi aberto para atender a uma recomendação do milionário indiano Lakshmi Mittal, principal acionista do grupo siderúrgico ArcelorMittal, que só se alimenta com comida típica do seu país.

O restaurante tem o sugestivo nome Maharaj e foi concebido com o objetivo de divulgar a cultura indiana e fortalecer ainda mais a relação entre os dois países, tendo como referencia a capital mineira. O local será utilizado brevemente para Lakshmi Mittal reiterar uma informação anterior de que manterá a sede do seu grupo em Belo Horizonte.

O cônsul da Índia mostrou-se decepcionado com a maneira como os brasileiro em geral e os mineiros, em especial, ainda se mostram incrédulos com a estatura dos grupos industriais indianos e dos negócios por eles anunciados. No entanto, lembrou que, a despeito da desconfiança em relação à pujança do capital e da tecnologia indiana, eles adquiriram o grupo Arcelor e todas as empresas do conglomerado no Brasil.

Além disso, não recorreram a financiamentos brasileiros para fechar o capital das empresas pertencentes à Arcelor e, mais recentemente, da sua subsidiária Acesita. Disse também que a presença do grupo Tata na Fiat é muito maior do que se conhece publicamente.

Quinta-feira, durante festa de apresentação dos caminhões Iveco em concessionária da marca em Belo Horizonte, um funcionário graduado da montadora italiana de veículos pesados confirmou a construção de mais um galpão na fábrica de Sete Lagoas para a montagem de veículos e um " aperfeiçoamento na seção de pinturas", que já trabalha em regime de três turnos. O executivo disse que o novo galpão terá o propósito específico de abrigar a produção das cabines do caminhão pesado Stralis, que hoje é realizada exclusivamente em Córdoba, na Argentina.

O grupo Tata é uma gigante multinacional indiana composta por 98 companhias. Tem negócios em sete setores da economia e no último dia 6 de dezembro seu valor de mercado atingiu US$ 72,2 bilhões. O faturamento do grupo foi de US$ 28,8 bilhões no último ano fiscal encerrado em 2007 e o da Tata Motors ficou em US$ 7,2 bilhões no período.

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