Biodiesel atrai grandes grupos e investimentos

Usinas do grupo Agrenco devem produzir 380 milhões de litros por ano a partir de 2009.

Fonte: Energéticas (www.power.inf.br) - 19/03/07

A Agrenco é um bom retrato do agronegócio moderno brasileiro. O escritório de São Paulo fica num edifício de última geração. Na sala da presidência, a tela do computador é de cristal líquido, tem 42 polegadas e está pregada na parede. Ali, o paulista Antônio Iafelice, fundador e maior acionista, faz contato com os escritórios da Argentina, Inglaterra, Itália, França e de Cingapura. Dos 106 funcionários, 26 têm mestrado e seis são PHD. Iafelice é um dos três do time com mais de 50 anos.


O grupo agrícola, criado há 15 anos na França e com sede na Holanda, é especializado nas áreas financeira, de comercialização, tecnologia e logística. O mais novo negócio é o biodiesel. Em sociedade com o grupo japonês Marubeni, a Agrenco está à frente de um dos maiores projetos de biodiesel anunciados até agora no país. Em dois anos, as três usinas - duas em Mato Grosso e uma no Paraná - deverão atingir produção de 380 milhões de litros por ano de biodiesel feito a partir de soja, outras oleaginosas e gordura animal.

A Agrenco faturou US$ 1,4 bilhão em 2006 e espera dar um salto em 2008, quando os três complexos de bioenergia (que, além de gerar energia, produzirão biodiesel) estiverem operando a plena carga. Até lá, o grupo prevê receitas de US$ 2,5 bilhões.

"Passei a vida dando lucro para os outros. Agora, chegou a vez de lucrar com minhas idéias", diz Iafelice, considerado um dos executivos mais influentes do agronegócio atual, segundo o professor da Harvard Business School, Ray Goldberg, um dos maiores especialistas americanos no assunto.

O projeto da Agrenco é parte do segundo ciclo do biodiesel no país. O filão, até então dominado por projetos experimentais, apenas para consumo próprio, virou negócio de gente grande. Neste ano, os investimentos no setor devem dobrar e atingir R$ 1,2 bilhão. Só o volume de combustível alternativo que sairá da Agrenco a partir de 2008 é cinco vezes maior que tudo o que foi produzido no país em 2006. Neste ano, a produção deve ser quase dez vezes superior à de 2006, segundo o Ministério das Minas e Energia. Os números ainda são considerados modestos. "O consumo tende a crescer a partir de 2008, quando o governo tornar obrigatória a mistura de 2% de biodiesel no diesel, mas é evidente que 2007 já será a fase de arrancada", diz o diretor da RC Consultores, Fábio Silveira, que acompanha de perto o setor.

As novas usinas que saem do papel terão capacidade para produzir pelo menos 100 milhões de litros por ano, o que é considerado economicamente viável por especialistas. De maneira geral, as empresas desse novo ciclo estão estreitamente ligadas ao campo, como a Caramuru Alimentos, as produtoras de grãos ADM e Granol e o frigorífico Bertin, que inaugura em março, no interior de São Paulo, a maior planta para produção de biodiesel a partir de gordura animal.

O combustível também tornou-se alvo de atenção de investidores estrangeiros. Em alguns meses, deve ser anunciado um projeto de US$ 200 milhões no interior de Mato Grosso capitaneado por um fundo de investimento inglês especializado em petróleo e um grupo chinês de energia e varejo. A construção deve começar até o fim do semestre.

"O início da produção está previsto para março de 2008", diz o empresário André Luís Pereira, sócio da Petrobio, empresa contratada para montar a usina. Segundo ele, o complexo incluirá, além da usina, uma central de esmagamento de soja. "O nome das empresas ainda é mantido sob sigilo, porque o fundo inglês está preparando a abertura de capital na Bolsa de Londres."



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