Indústria ainda não está no caminho da meta de descarbonização, diz relatório

Nos últimos três anos, segundo a pesquisa, as emissões absolutas cresceram em média 8%

Análise da Accenture no Destination Net Zero revelou que o número de empresas que estabeleceram metas para alcançar a neutralidade de carbono aumentou para (37%), 3 pontos acima do resultado do ano passado.

Embora esta porcentagem possa trazer certo otimismo, o relatório também aponta que metade (49,6%) das empresas que divulgam dados de emissões registrou o aumento do volume de liberação de gases desde 2016. Além disso, um terço (32,5%) está no caminho da redução, mas, com base nas tendências atuais, mesmo esse grupo não está no caminho certo para atingir o objetivo em suas operações até 2050.

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A análise traz aceleradores e prioridades específicas de cada setor, mostrando os aspectos mais difíceis de reduzir na produção de cada segmento como siderurgias, metais, mineração, cimentos, produtos químicos, frete e logística.

De acordo com a publicação do Fórum Econômico Mundial, os setores mencionados acima representam mais de (40%) das emissões globais de CO2. Por isso, é essencial a transparência sobre o progresso que estes setores têm feito.

A análise mostra que os setores com emissão de gás carbônico de forma intensiva não estão alinhados com a trajetória para atingir o zero líquido até 2050 – conforme determinado pela Agência Internacional de Energia (AIE) e pelos cenários e metas específicos da indústria.


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Nos últimos três anos, as emissões absolutas cresceram, em média, 8% devido ao aumento da atividade e da procura dos setores abrangidos que dependem de combustíveis fósseis, a maioria com uma dependência superior a 90%. 

Desafios mais complexos

Setores como o do cimento e do aço enfrentam os desafios de descarbonização mais complexos devido à sua intensidade energética. Na verdade, a sua utilização de energia equivale a mais de 3 vezes a energia consumida nos EUA. A transição destas indústrias para um futuro líquido zero exigirá um investimento coletivo de aproximadamente 13,5 bilhões de dólares, dando prioridade à eletrificação de processos industriais de baixa a média temperatura. 

A pesquisa indica que, para ampliar as tecnologias essenciais e as infraestruturas sustentáveis, as ações devem ser complementadas por políticas e incentivos que possam ajudar as indústrias a fazer a mudança, assegurando ao mesmo tempo o acesso a recursos acessíveis e fiáveis.

Ainda há uma enorme oportunidade para os setores se unirem para impulsionar a inovação e enfrentarem os seus desafios de forma colaborativa através da partilha de conhecimentos e melhores práticas, inovação conjunta, acesso ao mercado e confiança dos consumidores.

Logo, a descarbonização das indústrias com utilização intensiva de emissões nos setores da produção, da energia e dos transportes exige uma abordagem multifacetada

O relatório de acompanhamento de 2023 reconhece que, apesar dos desafios, a comunidade industrial global está a fazer progressos no sentido de alcançar emissões líquidas zero. Ao puxar as alavancas facilitadoras e ao incentivar colaborações inovadoras, as indústrias podem abrir caminho para um futuro mais verde, mais resiliente e próspero.

*Imagem de capa: Depositphotos