Francesas investem para superar demais montadoras

Fonte: Gazeta do Povo - 22/11/07
Foto: Divulgação
          
2007 pode ser considerado o ano das montadoras francesas no mercado nacional. Impulsionadas pelo lançamento de novos veículos, Renault e Citroën devem encerrar o ano com os melhores desempenhos do setor, bem acima do avanço do mercado, que deve ser de até 30%, para 2,35 milhões de unidades vendidas. A participação dessas marcas nas vendas totais – de 2,55% e 3,1% respectivamente – ainda está longe das líderes Fiat, Volkswagen, General Motors e Ford, mas representa um avanço importante para as novatas, que começaram a produzir por aqui há menos de dez anos.

A Renault, que tem fábrica em São José dos Pinhais (região metropolitana de Curitiba) deve fechar o ano com crescimento nas vendas de 40%. Para 2008, a expectativa é avançar outros 30% – bem acima dos 10% que a montadora espera para o mercado geral – no embalo das vendas do recém-lançado Logan e do Sandero, que será oficialmente apresentado ao mercado na segunda-feira. Somados os resultados da Nissan, o Complexo Ayrton Senna deve produzir 123.290 veículos até dezembro – contra 76.950 em 2006. “Este foi um ano de uma mudança muito importante. Um ano chave para realizarmos as metas propostas no Contrato 2009”, diz o vice-presidente comercial da Renault do Brasil, Christian Pouillaud, em referência ao plano de metas anunciado pela montadora em agosto de 2006.

O Contrato prevê dobrar o volume de vendas da empresa no Brasil e triplicar a produção até 2009. “O mercado brasileiro está em um patamar ao qual ninguém acreditava que iria chegar. Pra nós foi uma oportunidade fantástica, que acreditamos continuar no próximo ano.”

O bom desempenho deste ano está diretamente ligado ao lançamento do Logan. O carro superou a expectativa inicial de vendas – 1,5 mil unidades por mês – e tem fila de espera. Sobre a nova aposta, o Sandero, o vice-presidente segue mantendo sigilo sobre números e expectativa de venda, e diz apenas que o carro foi muito bem recebido pela imprensa especializada e pelo público que já o conheceu.

Além dos dois novos modelos produzidos no Paraná, a empresa traz para o Brasil mais dois modelos da família Megane – o Coupé-Cabriolet e o Grand Scénic. Com esses dois lançamentos, a Renault retoma a venda de carros importados no Brasil.”Por muito tempo focamos em produtos feitos no país. Mas percebemos que há um espaço para esses carros importados, de alto padrão”, diz Pouillaud. Os carros serão vendidos no Brasil por cerca de R$ 120 mil e R$ 90 mil a partir de janeiro.

A retomada das importações, no entanto, só foi possível graças à situação cambial, que vai permitir que os carros cheguem ao mercado brasileiro com preços competitivos. “Sem dúvida, o câmbio, que por um lado prejudica as nossas exportações, nesse caso ajuda muito. Já que estamos falando de uma taxa de importação da Europa de cerca de 35%.”

A Citroën, que integra o grupo PSA Peugeot Citroën, vai encerrar o ano com um crescimento de 55%, segundo previsão do seu presidente no Brasil, Sergio Habib. No acumulado de janeiro a outubro, a marca emplacou 38.041 unidades, 36,17% acima do mesmo período do ano passado. No mesmo período, o mercado de automóveis e comerciais leves aumentou 28,9%.

A previsão é manter o ritmo em 2008 e chegar a 2012 com vendas de 150 mil unidades. A fábrica que a Citroën divide com a Peugeot, em Porto Real (RJ), está implantando o terceiro turno de produção. “Ninguém previa que o mercado ia crescer tanto em 2007.Com certeza esse foi um ano excepcional para o setor”, diz Habib, que acredita que mais do que o alongamento dos prazos de pagamento para compra de carros novos – há financiamentos de até 99 meses no setor – o cenário de crescimento econômico está gerando otimismo no consumidor. “O comprador sabe que não vai perder o emprego, que a inflação vai continuar sob controle e que ele pode investir em um bem durável. Se não houvesse essa segurança, o setor não venderia tanto”, afirma.

De acordo com o executivo, as montadoras que não atuam com veículos populares estão se beneficiando também do aumento da renda da população. De acordo com ele, há uma mudança de perfil de consumo. “Quem comprava carro popular, hoje procura um carro de maior valor agregado. Hoje 20% dos compradores do C3 (que custa em torno de R$ 39 mil) eram donos de modelos populares, como Celta, Uno e Gol”, diz.

O grupo PSA já anunciou planos de investir US$ 500 milhões entre 2008 e 2010 em lançamentos de produtos das duas marcas no Mercosul. A Citroën produz no país os modelos Xsara Picasso e o C3. A empresa também comercializa o C4 Pallas, importado da Argentina, lançado em meados de setembro, e deve lançar no Brasil o C4 Picasso entre março e abril do próximo ano e o novo C5 em setembro de 2008. Habib acredita que o mercado brasileiro deva crescer 15% em 2008.

Movimentação - Porto chega a 150 mil veículos 
          
Segundo a administração portuária, a movimentação de veículos pelo Porto de Paranaguá baterá nesta semana as 50 mil unidades. De janeiro até agora, a movimentação de carros cresceu 58% em relação ao mesmo período do ano passado. Com o aquecimento do consumo interno, a importação avançou mais, 109%, e a exportação, 40%. Nesta semana, o porto recebe três navios que movimentarão 5.241 veículos. A superintendência diz que a capacidade do porto de receber nove mil unidades já está esgotada diante da alta demanda deste ano. Para o ano que vem, uma área de 33 mil metros quadrados em frente ao prédio administrativo da autarquia dará lugar a um novo pátio público de movimentação de veículos, com capacidade estática para duas mil unidades. Atualmente, a faixa de cais já está sendo usada como pátio. Com a ampliação, o porto poderá movimentar até 250 mil veículos em um ano.

Revendedora - Segunda concessionária Citroën abre em dezembro
     
A Citroën inaugura em dezembro, com investimentos de R$ 3,5 milhões, sua segunda concessionária em Curitiba. A Citroën Gran Ville, que abre as portas no próximo dia 12, deve elevar a venda de veículos da marca na cidade de 200 para 300 carros por mês, segundo Sergio Habib, presidente da Citroën no Brasil. Segundo ele, a marca detém hoje 2% dos emplacamentos realizados em Curitiba.

A nova revendedora vai funcionar em um terreno de 3,5 mil metros quadrados alugado na avenida Mário Tourinho, no bairro Campina do Siqueira, reduto de várias concessionárias na capital, e deve empregar até 50 pessoas. Devido à grande procura e a valorização dos terrenos, Gedor Vieira, diretor da Gran Ville, diz que a opção foi alugar a área (composta por cinco lotes) por cinco anos. O contrato é renovável por mais cinco, com opção de compra ao final do período.

A montadora francesa tem um plano agressivo de crescimento da rede de revendas no país, que deverão passar de 87 para 120 até o final de 2011. Entre as novas lojas programadas para o Paraná estão Foz do Iguaçu, Pato Branco e Paranavaí, que deve ganhar um showroom. Além de Curitiba, a marca está presente em cidades como Ponta Grossa, Maringá, Londrina e Cascavel.
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