Pesquisas na área de biocerâmicas ganham força no Brasil

Fonte e foto: Faperj - 19/11/07
 
O fortalecimento no Brasil da pesquisa na área de cerâmicas em medicina, as chamadas biocerâmicas – materiais usados em próteses de articulação de fêmur, pélvis do quadril, pernas, implantes odontológicos e enxertos ósseos em humanos, entre outros –, ganhou reconhecimento internacional recentemente. No mês de outubro, o engenheiro metalúrgico pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e professor do Instituto Militar de Engenharia (IME), Marcelo Henrique Prado da Silva, foi nomeado presidente da Sociedade Internacional de Cerâmicas em Medicina (ISCM), órgão responsável pela realização do Congresso Internacional em Cerâmicas em Medicina (Bioceramics), que em 2008 terá sua 21ª edição na cidade de Búzios, Rio de Janeiro. É a primeira vez que um latino-americano ocupa o cargo, que tem vigência de um ano. Após o prazo, o pesquisador, que recebe apoio da FAPERJ, passará a ser membro permanente do comitê executivo do ISCM.  

Nos últimos 30 anos, os materiais cerâmicos em medicina têm se desenvolvido de uma forma avassaladora, ocupando hoje uma posição de extrema relevância na prática clínica. “São prova desta importância a substituição total de articulações ou o uso já disseminado de substitutos e reconstituintes de ossos e dentes”, afirma. “É para partilhar conhecimento e debater novas tecnologias que se reúnem anualmente profissionais de ramos tão diversos como a engenharia, a medicina e a indústria no encontro internacional Bioceramics”, acrescenta Marcelo Prado da Silva.

Um mês antes da nomeação de Prado da Silva para a presidência da ISCM, a FAPERJ já o havia contemplado no edital de Apoio às instituições de Pesquisa Sediadas no Estado do Rio de Janeiro. O programa da Fundação apóia a aquisição e manutenção de equipamentos, bem como a realização de obras de infra-estrutura para a execução de projetos em diferentes áreas da ciência e tecnologia estabelecidas no Estado. “Com o projeto Desenvolvimento de Cerâmicas Avançadas, o Laboratório de Cerâmicas do IME, terá suas instalações adaptadas para o desenvolvimento de produtos como as biocerâmicas e as cerâmicas para blindagem balística”, explica o pesquisador.

Marcelo Prado da Silva e um pequeno grupo de pesquisadores já desenvolviam pesquisas em biocerâmicas no IME. Entretanto, dependiam bastante da colaboração do CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas). “Com a reforma e adequação do nosso laboratório, teremos condições de manter a colaboração de forma mais equilibrada e incentivar mais as pesquisas nesta área com nossos alunos”, afirma. “Agora, além de pesquisas com cerâmicas para a blindagem balística, este espaço definitivamente abrangerá maior número de pesquisas com a inclusão de mais trabalhos na área de cerâmicas em medicina”, acrescenta Prado da Silva.

Segundo o engenheiro metalúrgico e professor do IME, o trabalho que sua equipe vem desenvolvendo em parceria com o CBPF consiste em descobrir materiais cerâmicos de composição química e semelhante aos ossos para serem usados como enxertos que possibilitem o crescimento ósseo. “Outra aplicação que realizamos é de recobrimentos biocerâmicos em metais. A grande vantagem deste material se liga quimicamente ao osso, mantendo a função estrutural do metal”, afirma. A interatividade com profissionais da área biomédica para o desenvolvimento das pesquisas de sua equipe é outro ponto reforçado por  Prado da Silva. “É essencial que estejamos sempre trocando experiências, promovendo testes de acordo com as demandas de médicos, dentistas e cirurgiões”, acrescenta.
 
Nomeação para ISCM surgiu após aprovação de Congresso no Brasil

Além de engenheiro metalúrgico formado pela UFRJ, Marcelo Prado da Silva é mestre em metalurgia pela Coppe/UFRJ (Coordenação dos Programas de Pós-graduação em Engenharia da UFRJ), realizou doutorado e pós-doutorado em biocerâmicas na Europa. Durante os anos de 1997 e 1998, quando realizou parte de seu doutorado na Universidade de Londres, conheceu o congresso Bioceramics. Foi em 1998 que participou pela primeira vez e desde então tem procurado freqüentar assiduamente o evento, que ocorre anualmente em sistema de rodízio entre Europa, América e Ásia.

Em 2003 propôs à sua ex-orientadora inglesa a possibilidade de um evento Bioceramics no Brasil. A idéia era ter a professora titular da Universidade de Campinas (Unicamp), Cecília Zavaglia, como principal organizadora do encontro. Em 2005, durante a 18ª edição do Bioceramics, realizada no Japão, Prado da Silva apresentou oficialmente a proposta de realizar o evento no Brasil. “Nossa proposta saiu vencedora. Entretanto, como o evento se realiza em sistema de rodízio, somente no ano de 2008 ela seria realizada no Brasil”, recorda.

Segundo Prado da Silva, a realização do congresso no Brasil significa o reconhecimento de que a pesquisa na área vem crescendo e produzindo trabalhos de alto valor científico. Ele afirma que o reconhecimento internacional do trabalho desenvolvido no país não fica nada a dever a Europa e Estados Unidos. “Inclusive na 16ª edição do Bioceramics um trabalho do grupo da professora Marivalda Pereira, da UFMG (co-chair do Bioceramics 21) foi premiado. Ano passado, durante o 4º Congresso Latino-Americano de Biomateriais um trabalho desenvolvido por pesquisadores do Rio de Janeiro foi premiado. No âmbito da colaboração com o CBPF, já temos um pedido de patente nacional e internacional para biocerâmicas porosas para regeneração óssea e engenharia de tecidos, e já tenho uma patente nacional de novas biocerâmicas à base de óxido de nióbio e óxido de tântalo“, conclui o pesquisador.
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