Tecnologia da Unicamp destruidora de soqueiras beneficia plantio de algodão e cana

A destruição das soqueiras mobiliza apenas a área da superfície. Com isso, a próxima geração de plantas cultivadas é protegida.

Um equipamento desenvolvido na Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) da Unicamp deve contribuir para processos mais eficientes na agroindústria. Trata-se de um destruidor de soqueiras, máquina que realiza a destruição de restos culturais agrícolas, tais como raízes e restevas (vegetação rasteira e seca). A patente da tecnologia foi concedida para a Unicamp pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) em 2017. A tecnologia foi licenciada, com o auxílio da Agência de Inovação Inova Unicamp, para a empresa Jima Consultoria e Gestão Empresarial em 2021.

Seus inventores são os professores da Feagri, Daniel Albiero e Antonio Maciel, falecido em 2016. A participação de Albiero no licenciamento foi destacada pela diretora de Parcerias da Inova Unicamp, Iara Ferreira. “Seu apoio técnico aos analistas da Inova favoreceu uma negociação que atendeu as expectativas da Unicamp e da empresa, de forma rápida e segura”.

Albiero explica que o equipamento pode trazer diversos benefícios para culturas como algodão e cana-de-açúcar. Além da destruição de soqueiras, ela pode contribuir para o desenvolvimento ampliado, com outras funções em outros tipos de cultivos. “Temos versões alternativas para semeadura, plantio de mudas e também distribuição de fertilizantes e corretivos”, descreve o inventor.

Na versão original, licenciada para a Jima, o equipamento é acoplado ao trator e utilizado após o corte e a colheita para destruir restevas e raízes remanescentes do plantio. Albiero explica que culturas como cana-de-açúcar e algodão necessitam que suas soqueiras sejam destruídas antes do período do plantio para que não interfiram nas novas touceiras.

Assim, evita-se a competição por nutrientes e a presença de pragas e doenças. A destruição das soqueiras mobiliza apenas a área da superfície. Com isso, a próxima geração de plantas cultivadas é protegida, pois reduz-se o número total de operações que podem agredir o solo, além de se economizar tempo e energia. “Normalmente, a destruição da soqueira é uma operação cara. Mas ela se torna viável com a nova ferramenta de preparo do solo com paraplow rotativo. Há uma eficiência energética de 98% com uso do motor do trator através da tomada de potência (TDP). Em outros sistemas, a eficiência é de no máximo 50%”.


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A estrutura possibilita a descompactação do solo e ao mesmo tempo prepara uma cama de sementes ideal para o plantio. Outro benefício é a geração de fissuras laterais, que levam à maior infiltração da água e diminuem problemas de erosão.

Perspectivas na agricultura

A tecnologia vem recebendo atenção em uma série de estudos que visam a avaliar seus impactos e possíveis resultados, especialmente em centros de pesquisa da Unicamp. Isso também se refletiu em publicações nacionais e internacionais, como Agrociencia (México), African Journal of Agricultural Research e Spanish Journal of Agricultural Research (Espanha).

A parceria com a Jima possibilitou, ainda, um convênio para desenvolver uma nova versão da máquina. A iniciativa já conseguiu seu primeiro sinal verde: a aprovação de recursos no valor de R$ 150 mil, do Programa Catalisa via Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), para o desenvolvimento de uma startup em sociedade entre a empresa que fez o licenciada e os pesquisadores do projeto, sob coordenação do pesquisador da Feagri Cezário Benedito Galvão.




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