Honda passa a fabricar motores no Brasil e reduz importação

Fonte: O Estado de São Paulo - 26/10/07
Foto: Felipe Araújo/AE

A Honda inicia no próximo ano a produção de motores em um prédio anexo à fábrica localizada em Sumaré, interior de São Paulo. Hoje, a maior parte das peças do equipamento é importada da matriz no Japão.

A nacionalização do motor, considerado o coração do automóvel, é um sinal de que a montadora japonesa consolida cada vez mais suas operações no Brasil, mercado que já é o sexto maior do mundo para a companhia, com chances de pular para a quinta colocação este ano.

Seguindo a filosofia japonesa de dar passos cautelosos, a Honda levou dez anos, desde a instalação da unidade de automóveis no país, para investir na produção local de motores. Para construir a fábrica, foram mais de 20 anos desde a aquisição do terreno em Sumaré, na década de 70.

"O motor é a parte mais complexa do carro e é necessário estrutura consolidada para sua produção", justifica Horácio Tuyoshi Natsumeda, diretor-industrial da Honda Automóveis. Historicamente, a Honda não compra esse equipamento de terceiros e só usa motores de fabricação própria, "para garantir qualidade e custos".

A construção do prédio e a compra de equipamentos fazem parte do investimento de US$ 100 milhões anunciados no fim de 2005, que incluía a ampliação da capacidade produtiva de 240 para 550 veículos ao dia. Hoje, a linha de produção opera em três turnos e a Honda já estuda nova ampliação para dar conta da demanda.

"Inauguramos a fábrica em outubro de 1997 para produzir 60 carros/dia, em dois turnos, e hoje fazemos 550 em três turnos", diz Natsumeda. A cada dois minutos sai um carro pronto da linha de montagem. Segundo ele, a montadora estuda, para o fim de 2008, manter a produção de 550 carros/dia em dois turnos e, se preciso, ampliar para 650 unidades diárias em três turnos.

Em maio, a fábrica de motores, que está em fase de testes e tem capacidade para 550 peças/dia, iniciará a produção do motor do Civic e, em outubro, do Fit. Serão contratados 200 funcionários, ampliando assim o quadro atual de 3,1 mil pessoas.

Componentes eletrônicos e partes como a engrenagem continuarão sendo importados. Para viabilizar a nacionalização completa do motor, a fábrica deveria produzir cerca de 200 mil carros anualmente, volume que justificaria o alto investimento necessário para o projeto.

Este ano, devem ser produzidos em Sumaré 106 mil veículos, volume que irá a 121,5 mil em 2008, dos quais 24 mil para exportação. Incluindo modelos importados, a Honda deve vender este ano perto de 100 mil veículos no País, marca que a consolidará como quinta montadora no ranking brasileiro e também quinta no ranking da matriz, atrás dos EUA, Japão, China, Canadá e Reino Unido.

Apesar da produção maior, ainda há fila de espera de um mês, em média, para a compra dos modelos Civic e Fit.
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