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Pandemia exige "operação de guerra" da White Martins

A fabricante de gases industriais e medicinais mais que dobrou a produção de oxigênio e precisou reativar uma instalação inoperante para conseguir atender à demanda impulsionada pela pandemia de Covid-19.


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Entre janeiro e fevereiro de 2021, a crise resultante da falta de oxigênio nos hospitais do Amazonas dominou o noticiário nacional no início deste ano. Superlotadas em função do aumento no número de contaminações pelo coronavírus, as unidades hospitalares não conseguiam atender a demanda. Isso exigiu da White Martins, fabricante de gases industriais e medicinais, respostas rápidas de produção e novas estratégias logísticas para atender às necessidades daquele momento, resultando em uma grande "operação de guerra". Investimentos em logística desde 2018, que até o fim deste ano somará um aporte de quase R$ 200 milhões, ajudaram a empresa a responder à demanda.

Durante a crise no sistema de saúde do Amazonas, que durou 30 dias, o consumo de oxigênio diário passou de 60 mil metros cúbicos, o dobro do que foi consumido diariamente no pico da primeira onda da pandemia no estado, em 2020. Em 23 de janeiro, a White Martins anunciou que atingiu um volume máximo de 80 mil metros cúbicos por dia como resultado de um esforço logístico da companhia.

Somando o fornecimento para todo o país, em março de 2021, a White Martins atingiu o volume diário de 1,1 milhão de metros cúbicos de oxigênio líquido medicinal, o que representa um aumento de 93% no consumo médio diário do produto em comparação com a primeira quinzena de dezembro de 2020, e 119% em relação a todo o ano passado. Este consumo chegou a crescer 300% em algumas localidades do Brasil.

De 2019, período antes da pandemia, até março deste ano, a fábrica de equipamentos criogênicos da White Martins aumentou em 68% a produção de tanques para armazenamento de gases medicinais e industriais, entre eles o oxigênio. A produção de carretas criogênicas para o transporte destes gases cresceu 39% neste mesmo período. 

Ampliação da capacidade e estruturas

Ainda no período, a empresa ampliou sua capacidade de produção da planta T50, em Manaus, para 30 mil metros cúbicos por dia. Antes, esta unidade operava com 50% da capacidade, produzindo o suficiente para atender todos os seus clientes, que somavam um consumo na ordem de 10 a 15 mil metros cúbicos por dia.


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A White Martins mobilizou também esforços – em parceria com a FAB e a Moto Honda – para reativar a planta T15 que permitiu um incremento na produção local de oxigênio de cerca de 6 mil metros cúbicos por dia. Esta unidade estava inoperante desde 2009.

Em abril, com a queda do consumo de oxigênio no estado - cerca de 24 mil metros cúbicos por dia - a empresa conseguiu atender toda a demanda com a produção local e a capacidade de estocagem de suas plantas localizadas em Manaus.

Tanque de oxigênio transportado por vias fluviais até o Amazonas. Imagem: Marinha do Brasil/Divulgação .

Desafios logísticos

O transporte, principalmente para atender Manaus, foi o principal desafio enfrentado pela White Martins. Por meio da assessoria de imprensa, a companhia informou que “as condições de transporte entre as plantas produtoras e os locais de entrega, que muitas vezes não permitem o acesso de equipamentos de maior porte como carretas, agravam demasiadamente o atual estresse logístico dos recursos de distribuição disponíveis no país”. 

Mesmo assim, nos dois primeiros meses do ano, a empresa transportou para Manaus 1,7 milhão de metros cúbicos de oxigênio, líquido e gasoso, produzidos nas unidades da White Martins em outros estados brasileiros. Ao todo, 84 equipamentos criogênicos foram deslocados para atender a esta operação. A maior parte do oxigênio enviado ao estado foi transportado por via fluvial: 971 mil metros cúbicos foram levados por balsa entre janeiro e fevereiro. O Amazonas também  recebeu, via cabotagem, 14 isotanques da planta da White Martins localizada em Cabo de Santo Agostinho (PE), totalizando o envio de 212 mil metros cúbicos para o estado.

A empresa transportou também a maior carga de oxigênio líquido por vias fluviais no país. O transporte de um grande isotanque teve início em janeiro, partindo da unidade da White Martins em Capuava (SP), por via rodoviária, passou pelo Porto de Santos, de onde seguiu a bordo do Navio Patrulha Oceânico P121 – Apa até o Porto de Belém (PA), onde o isotanque foi abastecido com oxigênio líquido e seguiu para Manaus. Essa operação transportou cerca de 80 mil metros cúbicos.

Também foram enviados mais de 35 mil metros cúbicos de oxigênio por meio de isotanques na maior aeronave de carga da Força Aérea Brasileira (FAB). Já os voos partindo de Brasília levaram 416 mil metros cúbicos de produto para o Amazonas.

Os esforços para atender a demanda de oxigênio naquele estado envolveram ainda a planta da Invegas, empresa do mesmo grupo da White Martins, localizada na Venezuela. Após percorrer cerca de 4 mil quilômetros em duas viagens, a operação garantiu 45 mil metros cúbicos de oxigênio. A empresa transportou ainda 2 mil cilindros de oxigênio, que contribuíram com um volume de 20 mil metros cúbicos para o abastecimento do Amazonas.

Por meio da assessoria de imprensa, a companhia considerou os esforços para atender o Amazonas como uma “operação de guerra”, resultante de um esforço coletivo. “Por isso, a White Martins agradece o apoio de todos os seus funcionários e terceirizados que foram incansáveis para fornecer a maior quantidade possível de oxigênio para o estado do Amazonas, tanto os que se dispuseram a trocar temporariamente seu local de trabalho por Manaus quanto aqueles que atuaram em todo o Brasil nesta força-tarefa”, disse, em nota.

Investimentos

Entre 2018 e 2020, a White Martins investiu R$ 121 milhões na área de logística de distribuição de líquidos. Estas ações incluem a fabricação, aquisição e importação de novos veículos criogênicos, isotanques, equipamentos e tecnologias de programação logística, bem como a constante manutenção da frota existente e as adequações de estocagem nos clientes para garantir a confiabilidade no fornecimento. 

Em 2021, a previsão é aportar mais de R$ 77 milhões até dezembro, totalizando um investimento nesta logística na ordem de R$ 198 milhões realizado pela companhia em quatro anos. 

Mudanças realizadas pela empresa no primeiro semestre deste ano estão sendo mantidas e aprimoradas.




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