País do Oriente Médio aumenta 169% seu investimento em minério de ferro do Brasil, no primeiro semestre de 2021

No primeiro semestre, Bahrein alavancou compra de minério; movimento foi impulsionado por avanço da vacinação e retomada da indústria local.


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O Bahrein, país do Oriente Médio, realizou 169% mais importações de produtos do Brasil no primeiro semestre de 2021. O protagonismo do crescimento no comércio foi do minério de ferro, que respondeu por 93% do que foi embarcado ao país do Golfo. O apetite do país árabe pelo produto brasileiro pode ser explicado, principalmente, pela corrida para retomar a economia entre os países que já saíram na frente na vacinação contra a Covid-19.

De janeiro a junho de 2021, o país árabe aumentou em 87% o volume de minério de ferro importado do Brasil, somando 6 milhões e 88 mil toneladas. Já a receita movimentou US$ 863,377 milhões nos primeiros seis meses deste ano. Aumento de 256% frente ao mesmo período de 2020.

Para Marcos Henrique, economista especialista na área de mineração da Lafis Consultoria, há toda uma conjuntura que explica o bom momento vivido pelo setor mineral do Brasil. O real desvalorizado e os preços elevados do produto aqueceram o comércio do minério de ferro. Mas a vacinação contribuiu para a arrancada nas importações barenitas.

“Em países como o Bahrein, houve restrição muito forte e exigência por comprovação de vacinação, além deles terem uma população muito pequena, de menos de dois milhões de habitantes. A vacinação deles ocorreu de maneira muito veloz, o que conseguiu produzir um retorno das atividades econômicas, em particular da industrial, que é a principal demandante de minério de ferro. Então, se eu fosse dar uma razão central pela qual o Bahrein está acelerado nas compras, é a mesma razão da China, da Arábia Saudita, que é conseguir colocar sua atividade econômica para funcionar antes de todo mundo”, disse à ANBA Marcos Henrique.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), até o dia 13 deste mês o Bahrein já contava com quase 70% de sua população totalmente imunizada contra o novo coronavírus.


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Para o economista, a região do Oriente Médio como um todo se destaca pelos investimentos em obras e infraestrutura e a volta da demanda fez o preço do minério entrar também em ascensão. “Esse movimento se reflete no preço do minério, mas também no petróleo. Desde o final do ano passado, os preços voltaram a decolar”, explicou o analista.

O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) divulgou nesta semana que enquanto o dólar subiu de R$ 4,92 no 1º semestre de 2020 para R$ 5,38 no 1º semestre deste ano, a média de preços do minério de ferro mais que dobrou. O item foi o mais exportado pelo setor mineral e a sua cotação média esteve 101,5% maior do que no mesmo período do ano passado.

A instituição apontou ainda que, somado ao preço, também houve aumento da produção mineral, que elevou em 135% o faturamento deste minério no país.

Para os próximos meses, no entanto, Marcos Henrique lembrou que o mercado deve se manter mais cauteloso. A preocupação é com a nova variante do coronavírus, Delta, que pode desacelerar as compras de países como o Bahrein. “Tem determinados locais que estão retomando o uso de máscara e falando de novo em lockdown. Commodity, para nós, vai muito bem. Mesmo que a intensidade seja menor, o mundo não para de comprar. Não temos um cenário de trancamento total, que derrubou a indústria em 2020”, concluiu o economista.




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